Um grupo de executivos do mercado financeiro sugeriu, na noite de quinta-feira (27), que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se eleito, coloque o ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, Marcelo Kayath, no Ministério da Fazenda. No mesmo jantar, realizado na casa de Kayath, no Itaim Bibi, em São Paulo, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, foi citada como possível ministra da Casa Civil em um eventual governo Flávio. Segundo relatos ouvidos pelo Poder360, a sugestão foi aplaudida pelos presentes.
Jantar reúne elite financeira em São Paulo
O encontro reuniu 14 empresários e banqueiros de peso no mercado financeiro, entre eles Daniel Goldberg (Lumina Capital), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Luiz Carlos Trabuco Cappi (Bradesco), Christian George Egan (B3), Gilson Finkelsztain (Santander), Roberto de O… A lista de participantes reforça o interesse do setor em dialogar com o candidato. A reunião ocorreu em ambiente privado, na residência de Kayath, e serviu para aproximar Flávio de nomes influentes da economia. A fonte não detalhou a pauta completa do jantar, mas as sugestões ministeriais dominaram as conversas.
Após a sessão de aplausos, um dos executivos relembrou a campanha de 2018 de Jair Bolsonaro (PL), quando o ex-presidente apelidou o então ministro da Economia Paulo Guedes de “Posto Ipiranga”, em alusão a um comercial de televisão que descrevia o local como ponto de res… Na comparação, Flávio foi descrito como “mais afortunado” que o pai, por contar com “dois poços de petróleo” em vez de apenas um posto. A analogia destacou a percepção de que o candidato teria duas figuras fortes para a economia e a articulação política.
Kayath: trajetória e mudança de posição
Em 2022, Kayath declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chegou a dizer ao jornal Valor Econômico que Bolsonaro desestabilizava mais o mercado do que o petista. Depois da eleição, foi cotado para presidir o Banco Central e recusou convite do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para assumir uma diretoria da autarquia. Hoje, segundo pessoas próximas, Kayath diz a interlocutores que o governo está “muito ruim” para a economia e que se decepcionou com a condução do país.
Essa guinada o coloca como um nome viável para um eventual governo de oposição.
A presença de Kayath como anfitrião do jantar é simbólica. Ele abriu sua casa para receber Flávio e os demais convidados, sinalizando proximidade com o projeto político do senador. A sugestão de que assuma a Fazenda partiu dos próprios pares do mercado, o que indica respaldo entre investidores. A fonte não detalhou se Kayath reagiu formalmente à proposta durante o encontro.
Daniella Marques: da Caixa à Casa Civil
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, foi lembrada para a Casa Civil. Sua gestão no banco estatal ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, e ela é vista como uma executiva com trânsito no setor público e privado. A indicação para a Casa Civil sugere um papel de coordenação política e articulação com o Congresso. A fonte não detalhou se Daniella estava presente ou como recebeu a menção.
A escolha de dois nomes do mercado para pastas-chave indica uma tentativa de sinalizar compromisso com a agenda econômica liberal. A comparação com “dois poços de petróleo” reforça a ideia de que Flávio teria mais opções que o pai para ancorar a economia. No entanto, as sugestões ainda são informais e dependem de uma eventual vitória eleitoral.
Flávio promete não disputar reeleição
No jantar, Flávio reforçou aos presentes que, se vencer as eleições, não pretende disputar a reeleição, sinal interpretado como indicativo de que pretende promover reformas profundas na economia caso seja eleito. A promessa foi bem recebida pelos participantes, segundo três pessoas ouvidas pelo Poder360. A declaração é um aceno ao mercado, que historicamente cobra medidas impopulares de ajuste fiscal e desburocratização.
Durante a conversa, Flávio também brincou que o próprio Campos Neto poderia ter um terceiro mandato no comando do Banco Central. A menção ao atual presidente do BC, indicado por Jair Bolsonaro e mantido por Lula, mostra que o candidato pode considerar a continuidade da política monetária. A fonte não detalhou se a brincadeira foi levada a sério pelos presentes.
Repercussão e próximos passos
As sugestões feitas no jantar ainda não configuram um anúncio oficial de equipe. Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre os nomes citados. O mercado financeiro, porém, acompanha de perto os movimentos do candidato, que busca se consolidar como alternativa da direita. A aproximação com Kayath e Daniella Marques pode render apoio de setores que hoje criticam o governo Lula.
A fonte não detalhou se haverá novos encontros ou se as sugestões serão formalizadas em um plano de governo. A reportagem tentará contato com as assessorias dos citados para comentários. Até o momento, não há confirmação de que Kayath ou Daniella aceitariam os cargos em caso de vitória.
Fonte
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