Brasileiros que vivem fora do país foram às urnas neste fim de semana para escolher o próximo presidente e vice-presidente da República. A votação no exterior ocorreu em 134 países, com os Estados Unidos concentrando o maior volume de eleitores. Segundo dados da Justiça Eleitoral, o pleito mobilizou uma estrutura significativa em embaixadas, consulados e outros locais adaptados para receber os votantes.

O eleitorado brasileiro no exterior cresceu de forma expressiva nos últimos anos. De acordo com os números disponíveis, o total de eleitores habilitados fora do Brasil passou de aproximadamente 210 mil em 2010 para quase 700 mil em 2022, um aumento de 358%. Esse crescimento reflete a maior mobilidade internacional dos brasileiros e a ampliação dos serviços de alistamento eleitoral no exterior.

Estados Unidos lideram número de eleitores

Os Estados Unidos aparecem como o país com a maior quantidade de brasileiros aptos a votar no exterior. A fonte não detalhou o número exato de eleitores no território americano, mas a liderança é destacada nos dados oficiais. Em seguida, Portugal ocupa a segunda posição, com 134,7 mil eleitores registrados.

O Japão vem logo depois, com 88,3 mil brasileiros habilitados a votar. Canadá e Alemanha completam a lista dos cinco maiores colégios eleitorais no exterior, com 46,4 mil e 41,5 mil eleitores, respectivamente. Esses cinco países concentram a maior parte do eleitorado brasileiro fora do território nacional.

Lisboa, capital portuguesa, concentra o maior eleitorado brasileiro em uma única cidade fora do país, com 78.833 pessoas registradas. Para atender a essa demanda, a Universidade de Lisboa foi preparada para receber os votantes em 207 seções eleitorais, distribuídas por três edifícios. A estrutura montada na capital portuguesa reflete a importância do fluxo migratório brasileiro para a região.

Crescimento de 358% desde 2010

O crescimento do eleitorado brasileiro fora do país chega a 358% desde 2010, quando aproximadamente 210 mil pessoas estavam habilitadas a participar das eleições. Em 2014, eram 354 mil, número que passou para 500 mil em 2018 e chegou a quase 700 mil em 2022. Esses dados mostram uma tendência consistente de aumento ao longo das últimas eleições presidenciais.

Esse avanço pode ser atribuído a diversos fatores, como o aumento da emigração brasileira, a facilitação do cadastro eleitoral no exterior e campanhas de conscientização promovidas pela Justiça Eleitoral. A fonte não detalhou as causas específicas, mas os números indicam uma participação cada vez mais relevante dos brasileiros que vivem fora do país no processo democrático.

A ampliação do eleitorado no exterior também exige uma logística mais complexa para garantir o direito ao voto. A Justiça Eleitoral precisou adaptar sua estrutura para atender a um público disperso em dezenas de países, com diferentes fusos horários e realidades locais.

Estrutura de votação em 186 cidades

A Justiça Eleitoral organizou a votação em 186 cidades ao redor do mundo. As seções eleitorais foram instaladas principalmente em embaixadas e consulados brasileiros, mas escolas, hotéis e outros estabelecimentos também foram utilizados para receber os eleitores. Ao todo, estão previstas 1.310 seções, das quais 1.282 utilizam urnas eletrônicas e 28 adotam votação manual.

O uso de urnas eletrônicas no exterior segue o mesmo padrão adotado no Brasil, garantindo agilidade e segurança na apuração. As 28 seções com votação manual estão localizadas em áreas onde o transporte ou a infraestrutura dificultam o uso dos equipamentos eletrônicos. A fonte não detalhou quais países ou cidades adotaram o voto manual.

A distribuição das seções considera a concentração de eleitores em cada localidade. Em cidades com grande número de brasileiros, como Lisboa, a estrutura é ampliada com múltiplos locais de votação. Já em localidades com poucos eleitores, uma única seção pode atender toda a demanda.

Votação começa no sábado devido ao fuso

A votação no exterior começou ainda no sábado (3), pelo horário de Brasília, devido à diferença de fuso horário. A Nova Zelândia esteve entre os primeiros países a abrir as urnas, seguida por localidades da Austrália e da Ásia. Japão, China e Coreia do Sul encerraram a votação antes de diversas seções eleitorais brasileiras iniciarem suas atividades.

Essa diferença de horários exige uma coordenação cuidadosa por parte da Justiça Eleitoral para garantir que todos os eleitores tenham a oportunidade de votar dentro do período estabelecido. Em alguns países, a votação ocorre no sábado local, enquanto em outros acontece no domingo, dependendo da diferença em relação ao horário de Brasília.

A abertura escalonada das urnas também permite que os resultados parciais sejam acompanhados em tempo real, à medida que cada região encerra sua votação. No entanto, a apuração oficial só é divulgada após o fechamento de todas as seções no Brasil e no exterior.

Voto exclusivo para presidente

Diferentemente dos eleitores residentes no Brasil, os brasileiros com domicílio eleitoral no exterior votam exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. Essa regra está prevista na legislação eleitoral e se aplica a todos os eleitores registrados fora do país, independentemente do tempo de residência no exterior.

Quem estiver fora de sua cidade de votação poderá justificar a ausência pelos canais disponibilizados pela Justiça Eleitoral, incluindo o aplicativo e-Título. O aplicativo permite que o eleitor registre sua justificativa de forma rápida e segura, sem a necessidade de comparecer a um cartório eleitoral.

A justificativa é obrigatória para quem não votar e não estiver em seu domicílio eleitoral. O prazo para justificar é de até 60 dias após cada turno da eleição, e o procedimento pode ser feito pelo e-Título ou pelo site do Tribunal Superior Eleitoral.

O voto no exterior é um direito garantido a todos os brasileiros que mantêm seu título eleitoral regular e informaram seu endereço no exterior à Justiça Eleitoral. A participação desses eleitores é fundamental para a legitimidade do processo democrático, especialmente em eleições presidenciais, nas quais cada voto pode fazer a diferença.

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