O Brasil encerrou 2025 com um cenário preocupante para o setor empresarial: um número recorde de empresas em processo de recuperação judicial. Dados oficiais revelam uma alta generalizada nos pedidos de proteção em relação ao ano anterior, com setores específicos sendo mais afetados. A situação foi agravada por dificuldades na negociação com credores financeiros, conforme apontam especialistas.

Números que impressionam: crescimento de 35,2% em 2025

Durante todo o ano de 2025, 1,6 mil empresas ingressaram com pedidos de reestruturação judicial. Esse número representa uma alta expressiva de 35,2% em comparação com o ano anterior, indicando um cenário econômico desafiador.

Paralelamente, 561 companhias conseguiram deixar o status de reestruturação no mesmo período, demonstrando que o processo também pode levar à recuperação. Esses dados revelam um movimento intenso no ambiente de negócios brasileiro.

Um quarto trimestre histórico: recorde de 510 pedidos

O último trimestre de 2025 foi particularmente crítico, com 510 companhias buscando proteção judicial. Esse volume representa um salto de 7,5% sobre os três meses anteriores, consolidando uma tendência de crescimento.

Mais do que isso, o número de 510 empresas no período é um recorde trimestral na série histórica, nunca antes observado. A fase final do ano, portanto, concentrou parte significativa da pressão sobre as empresas.

Panorama geral: 5,6 mil empresas em recuperação judicial

O Brasil encerrou 2025 com 5,6 mil companhias em recuperação judicial, segundo o Monitor RGF de Recuperação Judicial. Esse total representa um crescimento de 24,3% em relação ao número observado no final de 2024, mostrando uma expansão consistente do problema.

Em termos proporcionais, as empresas em reestruturação judicial representam 2,13 a cada mil ativas, conforme o IRJ-RGF. Essa métrica ajuda a dimensionar o impacto no tecido empresarial do país.

Setores mais pressionados: agropecuária lidera

Índices por setor (empresas em reestruturação a cada mil ativas)

  • Agropecuária: 13,53
  • Indústria: 6,74
  • Infraestrutura: 4,11
  • Comércio: 1,81
  • Serviços: 1,02

Essa distribuição desigual revela que alguns segmentos da economia enfrentam desafios específicos. A concentração em setores estratégicos preocupa especialistas.

Dívidas em alta escala: R$ 40 bilhões no último trimestre

As dívidas declaradas pelas 510 empresas que recorreram à Justiça no quarto trimestre somaram R$ 40 bilhões. Esse valor é mais que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no trimestre anterior, indicando um aumento significativo no montante de obrigações financeiras.

Concentração na Unigel

Desse total de R$ 40 bilhões, R$ 19 bilhões pertencem à indústria petroquímica Unigel, que entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025. A participação de uma única empresa em quase metade da dívida total chama a atenção.

Análise de um especialista: problema amplo e multifacetado

Rodrigo Gallegos, sócio do RGF, afirmou ao jornal Valor Econômico que a elevação no número de recuperações judiciais foi generalizada em todos os setores econômicos. Além disso, ele mencionou restrições na negociação com credores financeiros como fator agravante para a situação.

A observação do especialista reforça a percepção de que o problema é amplo e multifacetado. Sua análise ajuda a entender os mecanismos por trás dos números.

O que os dados revelam: quadro complexo para a economia

Os números recordes de 2025 pintam um quadro complexo para a economia brasileira. O aumento nos pedidos de recuperação judicial, especialmente no último trimestre, sugere um acúmulo de pressões financeiras ao longo do ano.

A concentração de dívidas em setores como agropecuária e indústria, além do caso emblemático da Unigel, destaca vulnerabilidades específicas. O cenário exige atenção contínua para os próximos meses.

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