A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou diretrizes de conduta para os juízes eleitorais que atuarão nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante reunião com presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), convocada sem pauta prévia pela magistrada.

O encontro, que durou cerca de 4 horas, marcou o início dos preparativos para o próximo pleito nacional.

Principais recomendações do código de conduta

As 10 recomendações de Cármen Lúcia foram apresentadas no dia 2 de fevereiro, durante discurso na abertura do ano judiciário. A ministra defendeu que as diretrizes sejam discutidas pela Justiça Eleitoral nos Estados, antes de sua implementação.

Vedação a presentes e eventos políticos

Entre os pontos centrais, está a vedação ao recebimento de presentes por juízes eleitorais. A medida busca evitar qualquer dúvida sobre a imparcialidade dos magistrados.

Além disso, as recomendações proíbem a participação de juízes eleitorais em eventos políticos. O texto orienta que magistrados de todos os órgãos da Justiça Eleitoral sejam comedidos em suas intervenções e manifestações públicas.

Limites para manifestações públicas e mídias

O código de conduta estabelece que são inaceitáveis manifestações, em qualquer meio incluídas as mídias eletrônicas, sobre a escolha política da magistrada ou do magistrado.

Da mesma forma, não são admissíveis, ética nem juridicamente, sinalizações favoráveis ou contrárias a:

  • Candidatas ou candidatos
  • Partidos políticos
  • Ideologias

Essas regras visam preservar a neutralidade da Justiça Eleitoral.

Prevenção de conflitos de interesse

Outra diretriz importante determina que advogados que componham a judicatura eleitoral se mantenham afastados de participação em ato ou processo no qual os escritórios de advocacia que integram se façam representar.

A medida busca evitar conflitos de interesse que possam comprometer a isenção dos julgamentos.

Preocupações com a agenda eleitoral de 2026

Durante a reunião, os presidentes dos TREs discutiram sobre temas da agenda eleitoral de 2026. Um dos pontos abordados foi a preocupação com o uso da inteligência artificial como instrumento de campanha de desinformação.

Os participantes também conversaram sobre os prazos para a publicação do ato normativo que vai regular o pleito.

Ausências na reunião

Dos 27 TREs, não compareceram os representantes dos tribunais de:

  • Sergipe
  • Mato Grosso do Sul
  • Rondônia
  • Roraima

A ausência desses estados não impediu a discussão ampla sobre os desafios éticos e operacionais do próximo ciclo eleitoral.

Contexto no Supremo Tribunal Federal

Cármen Lúcia é relatora da proposta de um código de ética para ministros do Supremo Tribunal Federal. O tema foi apresentado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, como um dos eixos centrais da sua gestão.

A iniciativa com os juízes eleitorais segue, portanto, uma linha de trabalho já estabelecida na corte. As recomendações para a Justiça Eleitoral refletem preocupações similares às do código em discussão no STF.

Outras diretrizes importantes do código

Foco nas responsabilidades funcionais

O documento apresentado por Cármen Lúcia inclui ainda a recomendação de que magistrados não se comprometam com atividades não judiciais que afetem o cumprimento de seus deveres funcionais.

Essa orientação visa garantir que os juízes eleitorais mantenham o foco em suas responsabilidades durante o período eleitoral.

Transparência e prevenção de desinformação

Outro ponto estabelece que compete à autoridade competente tornar públicos os atos judiciais e administrativos. A medida busca impedir equívocos de interpretação ou divulgação inadequada relativos ao processo eleitoral por pessoas estranhas ao processo.

Com essas diretrizes, a ministra espera fortalecer a credibilidade do processo eleitoral brasileiro. As discussões nos estados devem ocorrer nos próximos meses, enquanto a Justiça Eleitoral se prepara para os desafios de 2026.

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