Um navio-hospital militar e uma embarcação científica de espionagem da China estão viajando pela América Latina e Oceania neste mês. A movimentação ocorre em meio a alertas sobre o uso duplo dessas operações.
O Silk Road Ark, pertencente à Marinha do Exército de Libertação Popular, realiza a Missão Harmonia 2025-2026. A iniciativa inclui exercícios conjuntos com forças locais e visitas a 14 países.
Paralelamente, um estudo internacional destaca que a maioria dos navios chineses no Oceano Índico tem objetivos geopolíticos militares.
Missão militar disfarçada de ajuda humanitária
A turnê do Silk Road Ark pela região faz parte da Missão Harmonia 2025-2026. A iniciativa inclui exercícios conjuntos e outras atividades com forças militares locais.
O hospital militar do ELP está visitando 14 países, incluindo:
- Jamaica
- Barbados
- Peru
- México
- Brasil
- Chile
Recentemente, o navio chegou ao porto de Nukuʻalofa, em Tonga, em 13 de outubro de 2025. A visita de sete dias inclui serviços médicos e atividades culturais.
Visita ao Uruguai e exercícios militares
Na semana passada, o Silk Road Ark visitou o Uruguai, país governado pelo líder de esquerda Yamandú Orsi. Uma delegação de alto nível recepcionou o navio da Marinha do ELP no Uruguai.
A comitiva incluía:
- Ministra da Defesa Sandra Lazo
- Subsecretário nacional de Defesa Joel Rodríguez
- Chefe da Marinha José Elizondo
- Embaixador chinês Huan Yazhong
Essa movimentação ocorre paralelamente a exercícios militares organizados pela China na África do Sul. Os exercícios contaram com alguns membros do grupo BRICS e o Irã, embora Índia e Brasil não tenham participado.
Essas atividades revelam uma estratégia de aproximação que vai além da cooperação humanitária.
Estratégia de uso duplo revelada em estudo
O estudo “Surveying the Seas”, do Center for Strategic and International Studies, destaca que a China adota uma abordagem de uso duplo na pesquisa oceanográfica.
Segundo a análise, 80% dos 64 navios que operam no Oceano Índico têm uma agenda geopolítica militar. A estratégia dual de Pequim é parte integrante de programas e projetos de infraestrutura civil.
Setores envolvidos na estratégia dual
A abordagem inclui os seguintes setores:
- Portuário
- Telecomunicações
- Energia
- Transporte
- Navios-hospital militares como o Silk Road Ark
Essa tática permite que atividades aparentemente civis ou humanitárias sirvam também a interesses de inteligência e vigilância. A presença dessas embarcações em regiões estratégicas levanta questões sobre soberania e segurança.
A combinação de assistência médica com potencial coleta de dados cria um cenário complexo para os países anfitriões.
Vulnerabilidades regionais expostas na América Latina
A turnê do navio pela América Latina e a chamada embarcação científica expõem as vulnerabilidades econômicas e militares da região.
Muitos países dependem de investimentos e cooperação chinesa. Essa dependência pode limitar sua capacidade de questionar atividades com potencial militar.
Além disso, a falta de transparência sobre os verdadeiros objetivos dessas visitas dificulta a avaliação de riscos à segurança nacional.
Contraste entre benefícios imediatos e riscos de longo prazo
As autoridades locais frequentemente destacam os benefícios imediatos, como:
- Serviços de saúde
- Intercâmbio cultural
No entanto, especialistas alertam que a longo prazo, a coleta de dados oceanográficos e outras informações sensíveis pode comprometer a autonomia estratégica das nações. A fonte não detalhou medidas específicas adotadas pelos governos para mitigar esses riscos.
Essa dinâmica ilustra o delicado equilíbrio entre cooperação internacional e proteção de interesses nacionais.
Respostas internacionais em análise
Enquanto a América Latina recebe o Silk Road Ark, outras partes do mundo já monitoram de perto as atividades navais chinesas.
O estudo sobre o Oceano Índico sugere um padrão de comportamento que se repete em diferentes contextos geográficos. A presença constante de navios com dupla finalidade em águas internacionais tem levado a aumentos na vigilância por parte de potências regionais e globais.
Posição da China e reservas de outros países
A China defende que suas operações são pacíficas e contribuem para o desenvolvimento global. A Missão Harmonia, por exemplo, é apresentada como uma iniciativa de diplomacia médica e cooperação militar benigna.
Ainda assim, a ausência de Índia e Brasil no exercício militar na África do Sul indica possíveis reservas de alguns países sobre o aprofundamento dessas parcerias.
Essas divergências mostram que a estratégia chinesa não é uniformemente aceita. O cenário atual exige atenção contínua às movimentações navais e seus impactos na geopolítica mundial.
