A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (25), convites aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A intenção dos parlamentares é tratar de questões relacionadas ao conglomerado Master, com foco em familiares dos magistrados.

Foco nos familiares dos ministros do STF

A pauta inclui pedidos que miram parentes de ambos os ministros, em um movimento que busca esclarecer possíveis vínculos com o caso.

Esposa de Alexandre de Moraes

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, é alvo de solicitações de convite e de convocação pela CPI.

Os parlamentares pretendem tratar do contrato milionário do Master com o escritório de advocacia de Viviane.

A divulgação da existência desse acordo voltou a repercutir na última semana, após uma operação da Polícia Federal identificar vazamentos sobre dados de familiares de integrantes do STF.

Esses vazamentos, segundo as informações, teriam sido feitos por servidores da Receita Federal.

Irmãos de Dias Toffoli

Patrocinados pela oposição, outros requerimentos miram a convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli: José Eugênio e José Carlos.

Eles, juntamente com o próprio ministro, por meio de uma empresa familiar, eram sócios no resort Tayayá. Esse empreendimento foi vendido ao Fundo Arllen, ligado a Daniel Vorcaro.

Além disso, Mario Umberto Degani, fundador do resort e primo de Toffoli, está entre os alvos de pedidos da comissão.

O advogado Paulo Humberto Barbosa, que assumiu o controle do resort no ano passado, também consta na lista de convocações.

Repercussões no Supremo Tribunal Federal

As possíveis ligações de familiares de Toffoli com o conglomerado do Master motivaram o desgaste do ministro e a sua substituição, na semana passada, na relatoria do caso no STF.

O novo relator sorteado foi o ministro André Mendonça.

Esse movimento reflete a sensibilidade do tema e o impacto das investigações no mais alto tribunal do país. A troca na relatoria ocorre em um momento de intenso escrutínio sobre as relações envolvendo o Master.

Outras autoridades na mira da CPI

A CPI deve votar, ainda, convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Encontro com Daniel Vorcaro

Em novembro, o BC declarou a liquidação extrajudicial do Master. Galípolo teria participado de uma reunião fora da agenda oficial entre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2024.

Esse encontro contou com a participação do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Ambos, Rui Costa e Guido Mantega, são alvo de pedidos de convites na CPI do Crime. Mantega foi contratado para atuar no conselho consultivo do Master.

Depoimento de figura ligada ao crime

A comissão de inquérito tem previsto o depoimento do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

Ele foi preso em setembro do ano passado após ser acusado de ter ligações com o Comando Vermelho.

Sua audiência na CPI busca ampliar as investigações sobre possíveis conexões entre o crime organizado e o caso Master. A presença de TH Joias reforça o caráter abrangente das apurações em curso.

Próximos passos da investigação

A votação dos convites nesta quarta-feira marca uma fase crucial para a CPI do Crime Organizado.

A análise dos pedidos pode definir o rumo das investigações sobre as ligações com o Master. Caso aprovados, os convidados terão a oportunidade de prestar esclarecimentos em audiências públicas.

O desenrolar dessas sessões promete trazer novos elementos ao debate público sobre o caso. A comissão segue buscando respostas para as múltiplas questões em aberto.

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