O esquema de investimentos milionários
Documentos obtidos por veículo de imprensa revelam uma complexa rede de movimentações financeiras. Ela conecta um fundo de investimentos a empresas ligadas ao ministro Dias Toffoli.
Segundo as informações, Vorcaro pedia ao cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que fizesse aplicações milionárias no empreendimento. Zettel é pastor da igreja Batista da Lagoinha e casado com a irmã de Vorcaro.
Ele atuava como figura central nessas transações financeiras. Zettel era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos.
Estrutura dos fundos de investimento
Esse fundo Leal é o único cotista do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Arleen. Isso cria uma cadeia de investimentos com múltiplas camadas.
O FIP Arleen foi utilizado especificamente para comprar a participação da família Toffoli em um resort no Paraná. Assim, os recursos foram conectados aos interesses do ministro.
Essa estrutura permitia que os recursos fossem direcionados de forma indireta para o empreendimento final.
As aquisições das empresas Toffoli
No dia 27 de setembro de 2021, o FIP Arleen passou a ser sócio de duas empresas:
- Tayaya Administração
- DGEP Empreendimentos
Isso marcou o início formal da participação no negócio. Na mesma data, o FIP Arleen adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. nessas empresas.
O valor comprado foi de R$ 3,3 milhões em capital social. A Maridt S.A. é uma empresa da qual Toffoli é sócio, estabelecendo o vínculo direto com o ministro.
Valor real do negócio
Os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo FIP Arleen não representam o tamanho real do negócio. Eles são apenas uma parte da transação.
Com o investimento na gestora e na incorporadora, o FIP Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento. O resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões, revelando a magnitude real da operação.
Além disso, o fundo investiu R$ 35 milhões no resort, do qual a Maridt era sócia. Isso completou o pacote de investimentos.
Os aportes milionários do pastor
Zettel fez aportes significativos no fundo Leal em datas específicas:
- 28 de outubro de 2021: R$ 15 milhões
- 3 de novembro de 2021: R$ 5 milhões
Simultaneamente, nos mesmos dias, o fundo Leal aplicou valores no FIP Arleen:
- R$ 14.810.038,35
- R$ 4.936.679,35
Esse movimento mostra o fluxo quase imediato dos recursos entre as entidades. Os aportes do pastor eram rapidamente direcionados para o fundo que investia nas empresas de Toffoli.
Controle sobre as movimentações
Zettel apresentava uma lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Isso mantinha o controle sobre as movimentações financeiras.
Na lista de pagamentos, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″, referindo-se claramente à empresa Tayaya Administração. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”, autorizando de forma direta e imediata a liberação dos recursos.
Movimentações recentes e novos atores
Mais recentemente, Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. Isso demonstra a continuidade das operações.
No dia 10 de fevereiro de 2025, o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no FIP Arleen. O padrão de repasses entre os fundos se manteve.
Essas movimentações mostram que o esquema de investimentos permanece ativo. Isso ocorre mesmo após a revelação inicial das transações.
Mudança na estrutura societária
No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A. vendeu o restante de sua participação. A venda foi na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding.
Isso alterou a estrutura societária do empreendimento. A PHB Holding é empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.
A introdução desse novo ator na equação representa uma mudança significativa na composição societária das empresas envolvidas.
Implicações e contexto da operação
A complexidade da estrutura de fundos revela um esquema elaborado. Ele foi criado para movimentar recursos entre diferentes entidades.
A cadeia que vai do pastor Zettel até as empresas de Toffoli passa por pelo menos três camadas de fundos de investimento. Essa multiplicidade de intermediários pode dificultar o rastreamento direto dos recursos.
Características da operação
O valor total envolvido nas transações ultrapassa os R$ 200 milhões. Isso considera apenas a avaliação do empreendimento, sem contar os múltiplos aportes feitos ao longo do tempo.
As movimentações ocorreram em diferentes momentos, desde 2021 até 2025. Isso indica uma operação contínua e não um evento isolado.
A presença de um ministro do Supremo Tribunal Federal como sócio das empresas receptoras dos investimentos adiciona uma camada de complexidade institucional ao caso.
Limitações das informações
A fonte não detalhou as motivações específicas por trás dessas movimentações financeiras. Também não explicou a natureza exata da relação entre os envolvidos.
Não há informações sobre possíveis investigações ou questionamentos formais sobre essas transações. O caso permanece como uma revelação documental.
Ele levanta questões sobre os limites entre investimentos privados e figuras públicas de alto escalão.
