O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prepara sua saída do governo federal deixando um legado econômico que divide opiniões. De um lado, há a defesa do cumprimento das metas fiscais e indicadores como o baixo desemprego. De outro, críticas ao aumento de impostos, aos gastos públicos e à trajetória explosiva da dívida.
O nome mais cotado para substituí-lo é o do atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. Além disso, Haddad deve se candidatar ao governo de São Paulo nas eleições de outubro, fechando um ciclo na economia nacional.
Defesa e críticas às contas públicas
Recentemente, Haddad desafiou ex-ministros da Fazenda para um debate sobre as contas públicas. Ele fez críticas ao que considerou falta de ‘honestidade intelectual’ de parte da sociedade e da imprensa na avaliação da economia.
Para sustentar sua posição, o ministro usa argumentos como:
- Déficit primário dentro da meta;
- Baixo nível de desemprego;
- Ritmo de crescimento da economia.
Esses pontos são justificados, segundo o Boletim Macrofiscal referente a 2025, pela ‘consolidação fiscal iniciada em 2024’. No entanto, essa visão enfrenta resistência de analistas que apontam problemas estruturais.
Análise crítica da deterioração fiscal
O economista Alexandre Manoel afirma que a deterioração fiscal das contas do governo nos últimos três anos é uma questão inequívoca. Ele destaca que o aumento da dívida não ocorreu na gestão passada.
Segundo Manoel, os dois maiores saltos da dívida nas duas últimas décadas aconteceram:
- Neste governo;
- No governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Essa análise contrasta com a narrativa oficial e alimenta o debate sobre a sustentabilidade das finanças públicas.
Trajetória explosiva da dívida pública
A dívida pública teve uma trajetória explosiva nos últimos três anos, conforme dados oficiais. As expectativas de mercado projetam a dívida em até 84,9% do PIB, segundo informações do Prisma Fiscal.
Esse patamar elevado preocupa especialistas, que veem riscos para a estabilidade econômica no médio prazo.
Questões sobre a regra fiscal
A regra fiscal criada no início deste governo foi amplamente aprovada pelo Congresso Nacional, mas sua eficácia é questionada. João Mário de França, do FGV-Ibre, diz que a regra fiscal não assegurava, por si só, a sustentabilidade da dívida pública.
Haddad, por sua vez, sustenta que as metas de resultado primário previstas no arcabouço fiscal vêm sendo cumpridas. No entanto, o desempenho das metas decorreu em grande medida de ajustes contábeis e da exclusão de despesas do cálculo da meta, as chamadas medidas parafiscais.
Mecanismo das medidas parafiscais
Esse mecanismo ganhou corpo a partir das despesas extraordinárias relacionadas às tragédias climáticas no Rio Grande do Sul, em 2023. O processo viabilizou o déficit zero em 2025, dentro da banda de tolerância de 0,5% do PIB.
Na prática, um déficit que chegou a cerca de 0,48% do PIB foi convertido, após ajustes, em um resultado negativo de 0,10% do PIB.
Custo político da agenda tributária
A agenda de elevação de receitas teve custo político elevado para o ministro. Haddad consolidou a imagem de um ministro associado ao aumento de impostos, traduzida no apelido de ‘Taxad’.
Essa percepção se tornou um dos marcos de sua gestão, influenciando:
- A opinião pública;
- A relação com setores produtivos.
Apesar dos esforços para equilibrar as contas, a combinação de mais tributos e gastos em alta gerou descontentamento. O legado fiscal, portanto, mistura conquistas técnicas com desafios políticos significativos.
Sucessão e futuro político
Enquanto isso, a sucessão no Ministério da Fazenda começa a tomar forma. Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, é o nome mais cotado para assumir o cargo.
A transição ocorre em um momento delicado, com a economia sob pressão e a dívida em patamar elevado. Paralelamente, Haddad deve se candidatar ao governo de São Paulo nas eleições de outubro, buscando um novo capítulo em sua carreira política.
A saída do ministro, assim, fecha um ciclo marcado por debates acalorados sobre o rumo das finanças nacionais.
