Uma troca de mensagens no WhatsApp ajudou a expor o funcionamento de uma estrutura clandestina criada para proteger os interesses do Banco Master. As conversas, que integram o conjunto de provas da nova fase da Operação Compliance Zero, revelam um esquema de vigilância, espionagem de adversários e acesso ilegal a dados sigilosos.
A investigação aponta para a existência de um grupo conhecido como ‘A Turma’, coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para manter a operação.
O núcleo operacional da espionagem
A estrutura conhecida como ‘A Turma’ teria sido utilizada para acompanhar jornalistas, levantar informações sobre adversários, vigiar ex-funcionários e antecipar riscos para o banqueiro e seus aliados.
Coordenação e métodos ilegais
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão seria o responsável por coordenar as atividades operacionais desse grupo. Cabia a ele organizar equipes de vigilância, localizar alvos e reunir informações sensíveis para a organização, recorrendo a métodos ilegais para acessar dados sigilosos.
Ação digital contra críticas
Mourão também teria coordenado uma frente digital destinada a conter críticas ao banco, organizando ações para remover conteúdos e perfis em redes sociais, simulando solicitações institucionais de autoridades públicas.
O fluxo financeiro suspeito
Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para manter a operação funcionando, conforme indicam as investigações. O dinheiro seria distribuído entre integrantes da equipe, incluindo pessoas responsáveis por monitoramento presencial e produção de conteúdos favoráveis ao grupo.
Distribuição e indícios de lavagem
Parte dos valores ficaria com o coordenador, enquanto outra parcela seria repassada a colaboradores, com a transferência dos recursos ocorrendo por meio de intermediários ligados à organização.
Uma funcionária próxima a Daniel Vorcaro perguntou, em um dos diálogos, se o valor a ser transferido seria ‘um milhão como normalmente’, reforçando a regularidade do repasse.
O fluxo financeiro envolvia repasses indiretos e empresas intermediárias, configurando indícios de lavagem de dinheiro, de acordo com as provas coletadas.
Vigilância e retaliação a jornalistas
Os diálogos revelam discussões sobre possíveis retaliações contra jornalistas e outras pessoas consideradas adversárias do grupo.
Monitoramento de profissionais da imprensa
Em uma conversa, Daniel Vorcaro sugeriu que um jornalista fosse seguido para que se obtivesse ‘tudo’ sobre ele, com o objetivo de coletar informações pessoais.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão disse que providenciaria o monitoramento desse profissional da imprensa, que publicava reportagens críticas ao banqueiro.
Integrantes do núcleo de espionagem
Marilson Roseno da Silva teria integrado o núcleo responsável pela coleta de informações e vigilância de pessoas consideradas relevantes para a organização, atuando na linha de frente das operações de espionagem.
As evidências da operação
A conversa integra o conjunto de provas que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que busca desvendar os métodos utilizados pelo grupo.
Papel das mensagens no WhatsApp
As mensagens trocadas no WhatsApp foram fundamentais para expor a estrutura clandestina, mostrando como as ações eram planejadas e executadas.
Além disso, os diálogos indicam a preocupação constante em neutralizar vozes críticas e proteger os interesses do banco, utilizando tanto meios presenciais quanto digitais.
A fonte não detalhou, porém, quantas pessoas foram alvo dessas atividades ou por quanto tempo o esquema permaneceu ativo.
Os próximos passos da investigação
Com as provas em mãos, as autoridades devem aprofundar a análise sobre o acesso ilegal a sistemas restritos e o fluxo financeiro suspeito.
Apuração da rede e questões levantadas
A investigação segue para apurar a extensão da rede de colaboradores e a possível participação de outras figuras-chave.
Enquanto isso, o caso levanta questões sobre a segurança de dados e a liberdade de imprensa no país, temas que devem ganhar destaque nos próximos capítulos.
A operação demonstra como grupos organizados podem usar recursos financeiros e tecnológicos para silenciar opositores, um alerta para a sociedade e as instituições.
