Escola de samba homenageia MST no Carnaval de São Paulo

A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé transformará o Carnaval em palco para a pauta da reforma agrária. O enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra” coloca o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no centro do espetáculo.

A proposta repete um afago à esquerda, em um momento em que a agremiação do Rio de Janeiro, Acadêmicos de Niterói, também prepara uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Presenças políticas confirmadas no desfile

Ministra e deputados da base aliada

De acordo com informações oficiais divulgadas pelo próprio MST, a escola paulistana terá a participação de figuras do alto escalão do governo federal. A ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, estará entre os componentes que desfilarão pela agremiação.

Além dela, um grupo de deputados federais da base aliada de Lula também confirmou presença. Os parlamentares são:

  • Rosa Amorim (PT-PE)
  • Valmir Assunção (PT-BA)
  • João Daniel (PT-SE)
  • Marina Santos (PT-RJ)
  • Orlando Silva (PCdoB-SP)
  • Missias Bezerra (PT-CE)

A participação de parlamentares no evento carnavalesco evidencia a conexão entre a folia e a política nacional. Por outro lado, a presença de nomes do Executivo e do Legislativo em um desfile temático gera debates sobre os limites entre cultura e militância.

Líderes do MST e celebridades no carro alegórico

Figuras históricas do movimento

O desfile não contará apenas com a presença de políticos. Líderes históricos do MST também estão confirmados para subir na passarela do samba. Entre eles estão:

  • João Pedro Stedile
  • Divina Lopes
  • João Paulo Rodrigues

A inclusão das principais vozes do movimento garante autenticidade à homenagem e reforça o caráter militante do enredo.

Personalidades de outras áreas

Além das figuras diretamente ligadas à causa agrária, a escola de samba atraiu celebridades de outras áreas. Entre os nomes confirmados para o desfile estão:

  • O ex-jogador de futebol Raí
  • O jornalista Chico Pinheiro

A presença dessas personalidades amplia o alcance do evento, atraindo a atenção de públicos diversos para a pauta que será apresentada.

Objetivo: vitrine da reforma agrária popular

A Acadêmicos do Tatuapé pretende utilizar o desfile como uma vitrine do que chamam de “Reforma Agrária Popular”. O enredo foi construído em conjunto com o MST, em uma proposta que nasce de uma construção coletiva entre a agremiação e o movimento social.

Segundo o movimento, que afirmou isso em nota, o objetivo é transformar a avenida em um palco de resistência, cultura e denúncia da concentração de terras no Brasil. Essa estratégia de comunicação busca aproveitar a visibilidade do Carnaval para levar uma mensagem política a milhões de espectadores.

Polêmica e questionamentos judiciais

Precedente no Rio de Janeiro

Enquanto a escola de São Paulo prepara seu desfile, a situação no Rio de Janeiro ilustra os riscos políticos desse tipo de homenagem. O desfile da Acadêmicos de Niterói, que fará no Rio de Janeiro ao homenagear o presidente petista, pode parar nos tribunais por suspeita de propaganda eleitoral antecipada.

Parlamentares se movimentam para impedir o desfile, alegando “desvio de finalidade” em repasse de verbas federais para a agremiação.

Ação popular e alegações

Uma ação popular foi proposta alegando “improbidade administrativa” e violação dos “princípios da moralidade e impessoalidade”. Segundo o senador Bruno Bonetti (PL-RJ), se não for deferido o pedido de impedir a escola de desfilar, a ação pede que pelo menos o desfile não seja transmitido pela TV.

Esses questionamentos criam um precedente que pode afetar outras agremiações com enredos políticos. O caso da Acadêmicos de Niterói serve como alerta para a escola paulistana, que embarca em uma jornada semelhante ao celebrar o MST.

A tensão entre a liberdade de expressão cultural e as regras eleitorais promete ser um tema quente neste Carnaval. Enquanto isso, os preparativos seguem a todo vapor para transformar o samba em manifesto.

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