Voto de Moraes abre julgamento no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou nesta sexta-feira, 6, para tornar o pastor Silas Malafaia réu por crime de injúria e calúnia contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva.

A decisão marca o início do julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Malafaia na 1ª Turma do STF.

Composição da 1ª Turma e prazo

Além de Moraes, participam do processo os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Eles podem inserir seus votos no plenário virtual até 20 de março.

O caso segue em análise pelos demais integrantes da corte.

O discurso que motivou a denúncia

Segundo a PGR, em 6 de abril de 2025, durante manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, o pastor fez um discurso que ofendia a dignidade do militar.

As declarações atingiram o decoro dos generais de quatro estrelas que integram o Alto Comando do Exército.

Falas específicas de Malafaia

Em suas falas, Malafaia questionou: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército?”. Em seguida, acrescentou: “Cambada de frouxos, cambada de covardes.”.

As declarações, registradas no evento público, formam a base da acusação que agora chega ao Supremo.

Entendimento da Procuradoria-Geral

A Procuradoria entendeu que houve “evidente o propósito do denunciado de constranger e ofender publicamente os oficiais-generais do Exército, entre eles o comandante do Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, em decorrência do exercício dos cargos ocupados”.

Dessa forma, a PGR sustentou que as falas ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, configurando os crimes de injúria e calúnia.

Caráter direcionado das ofensas

A análise do órgão ministerial destacou o caráter direcionado das ofensas, que teriam como alvo específico a hierarquia militar.

Com isso, a denúncia foi formalizada e encaminhada para julgamento no STF.

Argumentos da defesa do pastor

Em contraste com a acusação, a defesa de Malafaia pediu ao Supremo o arquivamento do caso.

Questões de competência e justa causa

Os advogados questionaram a competência do STF para analisar a acusação, sugerindo que a matéria não deveria ser tratada pela corte máxima.

Além disso, a defesa apontou a ausência de justa causa para o recebimento da denúncia, argumentando que não haveria elementos suficientes para sustentar a ação penal.

Esses pontos foram apresentados como fundamentos para que o processo fosse encerrado antes mesmo do julgamento de mérito, mas o voto de Moraes indicou direção contrária.

Fundamentação do ministro Alexandre de Moraes

Em seu voto contra Malafaia, Moraes disse que a denúncia da PGR preenche os requisitos legais e que, portanto, deve ser aberta a ação penal.

Garantias processuais

O ministro afirmou: “Assim, fica evidenciado que o discurso acusatório permitiu ao denunciado a total compreensão da imputação contra ele formulada”.

Ele completou: “E, por conseguinte, garantirá o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.”. Dessa maneira, Moraes entendeu que o processo deve seguir seu curso normal, com todas as garantias constitucionais preservadas para o acusado.

Próximos passos do processo

Moraes destacou ainda que “a análise pormenorizada acerca do dolo, como elemento subjetivo do tipo, deve preponderar quando do julgamento da ação penal, depois do exercício, por parte do denunciado, de seu irrestrito e amplo direito à defesa”.

Fases do julgamento

Isso significa que a discussão sobre a intenção do pastor ao proferir as frases será aprofundada apenas após a fase processual atual.

Enquanto isso, os demais ministros da 1ª Turma têm até 20 de março para apresentar seus votos no plenário virtual, definindo se Malafaia se tornará ou não réu formalmente.

O desfecho, portanto, aguarda a manifestação dos outros três magistrados.

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