PF não esclarece acesso de peritos às provas do caso Master
A Polícia Federal (PF) não fornece esclarecimentos sobre se os peritos criminais nomeados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) já tiveram acesso às provas apreendidas na segunda etapa da Operação Compliance Zero, investigação conhecida como caso Master.
A indefinição persiste nos bastidores da corporação, com representantes evitando afirmar categoricamente se a análise do material já começou. Essa falta de clareza ocorre em meio a decisões divergentes sobre o destino das evidências, que envolvem:
- Celulares
- Notebooks
- Documentos
Assessoria de imprensa mantém silêncio oficial
A assessoria de imprensa da Polícia Federal não traz clareza ao tema. Questionada em duas ocasiões pelo jornal Folha de S.Paulo, a equipe de comunicação limitou-se a informar: “Não temos essa informação”.
Essa resposta lacônica contrasta com declarações públicas feitas por autoridades, deixando uma lacuna sobre o andamento real do processo. A postura reforça a sensação de que detalhes operacionais permanecem sob sigilo.
A ausência de posicionamento oficial mantém em suspenso uma questão central para a investigação.
Nomeação de peritos e divergência no STF
Decisão do ministro Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, indicou quatro peritos para terem “livre acesso” ao conteúdo apreendido. A nomeação ocorreu depois de decisões divergentes sobre o destino das provas.
Inicialmente, o magistrado determinou que o material fosse lacrado e guardado no próprio STF, medida que gerou reações imediatas.
Mudança de decisão sobre as provas
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, discordou da determinação e pediu que Toffoli reconsiderasse. Depois da repercussão, ainda no mesmo dia, o ministro decidiu que as provas fossem encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Essa mudança de rumo ilustra os debates em torno da custódia das evidências. A decisão de encaminhar as provas à Procuradoria-Geral da República provocou posicionamento público da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).
Declarações contraditórias sobre o acesso
Posicionamento do diretor-geral da PF
Enquanto a assessoria da PF se mantém em silêncio, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou na semana passada, durante uma entrevista coletiva, que os peritos já haviam tido contato com celulares, notebooks e documentos apreendidos.
Ele reforçou que o inquérito segue sob “absoluta regularidade”, buscando transmitir normalidade ao processo.
Relato anônimo de investigador
Por outro lado, segundo relato de um investigador próximo à operação, um dos peritos teria dito que as evidências ainda não estavam em suas mãos. Essa informação, concedida sob anonimato, aponta para uma possível desconexão entre o discurso oficial e a realidade prática.
A contradição permanece sem desfecho, pois a fonte não detalhou prazos ou obstáculos. Diante dos relatos conflitantes, a situação expõe a dificuldade de se obter uma versão única e confirmada.
Preocupações com a validade das provas
Dois peritos, sob anonimato, expressaram à Folha o receio de que a atuação de Toffoli possa comprometer a validade das evidências. Eles temem que a manutenção das provas na PGR permita que advogados dos investigados aleguem nulidade processual.
O argumento seria que a cadeia de custódia não foi preservada de forma adequada. Essa apreensão reflete tensões técnicas no âmbito da investigação.
Os profissionais destacam que qualquer irregularidade na guarda ou no acesso ao material pode ser usada como estratégia de defesa nos tribunais. A preocupação vai além da análise pericial, tocando em aspectos que podem influenciar o resultado final do caso.
A indefinição atual, portanto, carrega riscos que extrapolam a mera burocracia. Assim, o silêncio da PF sobre o acesso dos peritos se entrelaça com debates mais amplos sobre legalidade e eficácia da operação.
O caso segue em aberto, aguardando novos capítulos.
