Um relatório da Polícia Federal (PF) cita ligações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli com o banqueiro Vorcaro e tratativas envolvendo o Tayayá Resort, empreendimento da família do magistrado. O documento, que analisa o caso Master, destaca conversas sobre repasses financeiros ligados ao resort e menciona um convite de aniversário, gerando reações da defesa, que nega irregularidades. As informações surgem em meio a tensões prévias entre o ministro e a corporação policial.
As conexões com o resort Tayayá
Investigadores destacam conversas sobre repasses financeiros ligados ao Tayayá Resort, empreendimento da família Toffoli. A empresa Maridt — dona do resort até 2021 — teria feito pagamentos ao ministro, que aparece como sócio da companhia ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio.
Posteriormente, a Maridt foi vendida a um fundo administrado por parentes de Vorcaro, ligação que amplia o escopo das investigações. O pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e indicado como um de seus principais operadores, aparece como elo da transação, mantendo interlocução constante com Vorcaro e discutindo o resort como tema frequente.
Esses elementos formam o núcleo das alegações contidas no relatório policial.
Detalhes sobre a empresa Maridt
A fonte não detalhou valores específicos dos repasses financeiros ou datas exatas das conversas citadas, deixando lacunas sobre a extensão das transações.
A defesa do ministro Toffoli
Interlocutores de Toffoli negam qualquer irregularidade, argumentando que o relatório apenas menciona quatro ligações e um convite de aniversário que não foi respondido. A versão oficial do ministro qualifica o conteúdo como “ilações” e contesta a legitimidade da PF para discutir sua suspeição no caso.
Além disso, a defesa reconhece que Toffoli recebeu recursos da Maridt, mas afirma que os pagamentos foram regulares, por conta da sua posição de sócio na empresa. Essa postura busca desconstruir as alegações, apresentando-as como inferências sem base factual sólida.
Tensões prévias com a Polícia Federal
A relatoria de Toffoli no caso Master já provocava incômodo dentro da PF antes da entrega formal do relatório. O ministro impôs sigilo ao processo no mesmo dia em que viajou de jatinho ao Peru, acompanhado do advogado de um dos diretores do banco, para assistir à final da Libertadores de 2025.
A aeronave era do empresário Luiz Pastore, que, no ano anterior, visitou o Tayayá ao lado de Vorcaro e André Esteves, do BTG Pactual. Esses eventos antecederam o desentendimento público entre Toffoli e a PF, que se intensificou em janeiro, quando o ministro acusou a corporação de “inércia” por ter iniciado a segunda fase da Operação Compliance Zero com um dia de atraso em relação ao prazo estipulado por ele.
Eventos que antecederam o desentendimento
- Viagem ao Peru em jatinho de Luiz Pastore para final da Libertadores 2025
- Visita de Pastore, Vorcaro e André Esteves ao Tayayá Resort no ano anterior
- Acusação de “inércia” contra a PF por atraso na Operação Compliance Zero
Medidas que concentraram a investigação
Toffoli adotou uma série de medidas que concentraram a investigação no STF, determinando que a custódia das provas permanecesse na Corte e que todas as oitivas ocorressem no tribunal.
No fim de dezembro, antes mesmo de qualquer depoimento, ele marcou uma acareação entre o CEO do Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor do Banco Central (BC), Ailton de Aquino.
Essas decisões reforçaram o controle do ministro sobre o andamento do caso, um ponto que tem sido alvo de críticas e análises. A concentração de poderes no STF levanta questões sobre a dinâmica das investigações de alto escalão.
O que ainda falta esclarecer
As alegações apresentadas não detalham valores específicos dos repasses financeiros ou datas exatas das conversas citadas, deixando lacunas sobre a extensão das transações.
A fonte não especifica se há novas fases investigativas planejadas ou se o relatório será encaminhado a outras instâncias. Também não há informações sobre a reação formal de Vorcaro ou de outros envolvidos mencionados, como Luiz Pastore e André Esteves.
Enquanto isso, a defesa mantém sua narrativa de normalidade, contrastando com as suspeitas levantadas pela PF. O caso segue em aberto, com expectativa por desdobramentos que possam trazer mais clareza aos fatos.
