O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria orientado a Polícia Federal (PF) a buscar eventuais omissões do Banco Central (BC) na fiscalização do Banco Master, segundo informações divulgadas por um jornal.
A instituição financeira, controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidada em novembro de 2024. O caso envolve suspeitas de fraude ao vender carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões.
O Caso do Banco Master: Liquidação e Investigações
O Banco Master foi liquidado em novembro de 2024 após a identificação de graves problemas financeiros. Na época, o banco tinha:
- R$ 127 milhões em dívidas a vencer na semana seguinte
- Apenas R$ 4 milhões em caixa para pagar os compromissos
Principais Suspeitas e Envolvidos
A principal suspeita gira em torno da venda de carteiras de crédito sem lastro ao BRB no valor de R$ 12,2 bilhões. Os investigados incluem:
- Daniel Vorcaro, controlador do Master
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB
- Outros diretores das instituições
Investigações Paralelas: CPMI do INSS
O ex-presidente do Master também está na mira da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A suspeita é de descontos em folha de aposentados e pensionistas sem autorização.
Segundo estimativa do senador Carlos Viana (Podemos-MG), cerca de 250 mil contratos podem ter sido afetados.
Toffoli e as Omissões do BC: A Nota Reveladora
Durante as investigações, o ministro Dias Toffoli citou uma nota do próprio Banco Central. O documento informou que, mesmo após identificar indícios de fraude em fevereiro de 2025, a autarquia não realizou novos exames nas carteiras do Master.
Em anotações no questionamento, Toffoli registrou: “Aqui aparece a omissão consciente documentada: o BC detecta indícios graves e, ainda assim, interrompe a fiscalização”.
Interpretação da Postura de Toffoli
Essa observação sugere que o ministro vê falhas na atuação do órgão regulador. A interrupção dos exames, mesmo diante de indícios de irregularidades, levanta questões sobre a responsabilidade do BC em prevenir danos aos cofres públicos e aos investidores.
Divergências nos Depoimentos no STF
Os depoimentos no Supremo Tribunal Federal foram marcados por tensões entre as partes envolvidas.
Debate sobre as Perguntas
Durante o interrogatório, uma pergunta tratava de medidas futuras que o Banco Central ainda poderia adotar após a liquidação do Master. O advogado do BC questionou a delegada da PF, afirmando que “a pergunta parece um tanto quanto vaga e um tanto quanto especulativa”.
A delegada repassou a questão, que foi defendida como não sendo genérica. O advogado do BC insistiu que se tratava de algo incerto, dependendo de decisões futuras da governança do Banco Central.
Local dos Depoimentos
Outra divergência foi a realização dos depoimentos na sede da Corte, em vez dos gabinetes da corporação, como é de praxe. A fonte não detalhou como isso afetou o andamento dos trabalhos.
Condições dos Interrogatórios: Espera e Limitações
As condições dos depoimentos no STF chamaram a atenção por vários aspectos:
- Tempo de espera: Um dos depoentes aguardou mais de dez horas para prestar depoimento
- Modalidade: Foi impedido de falar por videoconferência, apesar de pedido do Banco Central
- Confronto limitado: Inicialmente convocado para acareação, foi liberado sem que o confronto ocorresse entre todas as partes
Confronto de Versões
O confronto de versões ocorreu apenas entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa. Outras testemunhas não tiveram esse tipo de interação direta.
Próximos Passos da Investigação
Com as orientações de Toffoli, a Polícia Federal deve aprofundar a busca por eventuais omissões do Banco Central na fiscalização do Master.
Foco da Nova Fase
A nota citada pelo ministro, que indica a interrupção de exames mesmo após a detecção de indícios de fraude, será um ponto central nessa nova fase. As investigações sobre:
- Venda de carteiras sem lastro
- Descontos não autorizados em folhas de aposentados
continuam em andamento, com potencial para envolver mais autoridades e instituições.
Impacto no Sistema Financeiro
O caso do Banco Master segue como um exemplo dos desafios na regulação do sistema financeiro brasileiro. As revelações sobre as supostas falhas do BC podem levar a mudanças nos processos de fiscalização.
Enquanto isso, as partes investigadas aguardam o desfecho das apurações, que podem resultar em responsabilizações civis e criminais.
