Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), em cerimônia que marcou o retorno do fujimorismo ao poder após quase 26 anos. A nova mandatária, cujo período de governo vai até 2031, fez um discurso no qual delineou as prioridades de sua gestão, com ênfase na segurança, reformas estruturais e preparação para fenômenos climáticos.
Posse marca retorno do fujimorismo
Com a posse de Keiko Fujimori, o movimento político liderado por seu pai, Alberto Fujimori, reassume o comando do país. O último mandato de um presidente fujimorista havia terminado em 2000, com a renúncia de Alberto Fujimori em meio a escândalos de corrupção. Agora, mais de duas décadas depois, Keiko assume o cargo com a promessa de uma gestão pautada pela segurança e pelo crescimento econômico.
Em seu juramento, a presidente se comprometeu a preservar a soberania nacional, a liberdade e a democracia, valores que, segundo ela, nortearão seu governo. O mandato, que se estende até 2031, será marcado por desafios que vão desde a criminalidade até os impactos de eventos climáticos extremos.
Silêncio estratégico no plenário
Keiko Fujimori permaneceu em silêncio até que os parlamentares deixassem o plenário antes de iniciar seu pronunciamento. O gesto, incomum em cerimônias de posse, criou uma atmosfera de expectativa e foi interpretado por analistas como um sinal de firmeza e controle do ambiente. Logo em seguida, a presidente deu início ao discurso que delineou os rumos de seu governo.
Promessa de um país seguro e unido
Em seu discurso de posse, Keiko Fujimori prometeu trabalhar por um país seguro, próspero e unido. A declaração foi recebida com expectativa por uma população que enfrenta altos índices de violência e criminalidade. A presidente destacou a necessidade de medidas urgentes para restaurar a ordem e a confiança dos cidadãos.
Ela também enfatizou a importância da união nacional, convocando todos os peruanos a se engajarem na construção de um futuro melhor. A fonte não detalhou planos específicos para a segurança, mas indicou que reformas profundas viriam.
Decretos de urgência e poderes legislativos
Keiko Fujimori anunciou que editará decretos de urgência para acelerar a implementação de suas políticas. Além disso, a presidente informou que solicitará ao Congresso poderes legislativos delegados, instrumento que permite ao Executivo aprovar reformas com maior celeridade. Esses poderes serão utilizados para levar adiante reformas operacionais, processuais e penitenciárias, conforme detalhou em seu pronunciamento.
A medida gerou reações mistas, mas a mandatária defendeu que a gravidade da situação exige respostas rápidas. As reformas penitenciárias, em particular, são vistas como essenciais para combater a superlotação e a violência nos presídios, problemas crônicos no Peru.
Sustentabilidade fiscal como base
Keiko Fujimori disse que uma reforma do Estado deverá ser acompanhada de medidas para garantir a sustentabilidade fiscal. Para a presidente, o equilíbrio nas contas públicas é uma condição necessária para o crescimento econômico, a geração de confiança e a manutenção das políticas sociais. Sem a disciplina fiscal, segundo ela, os avanços seriam insustentáveis.
A ênfase na responsabilidade fiscal sinaliza uma preocupação em não repetir desequilíbrios do passado e em atrair investimentos. A presidente não forneceu detalhes adicionais sobre como conciliará a necessidade de gastos emergenciais com o controle do déficit, mas reafirmou seu compromisso com a estabilidade macroeconômica.
Preparação para o El Niño
Diante da previsão de chegada do fenômeno climático El Niño, Keiko Fujimori anunciou que destinará recursos extraordinários para preparar o país. O governo colocará em prática um plano nacional de contingência voltado à prevenção, que inclui obras como limpeza de leitos de rios e reforço das proteções nas margens. Essas ações visam reduzir os riscos de enchentes e deslizamentos, frequentes durante o evento climático.
O plano também prevê assistência técnica e financeira aos agricultores afetados, setor particularmente vulnerável às alterações do clima. A presidente ressaltou a urgência das medidas, uma vez que os impactos do El Niño podem agravar a segurança alimentar e a economia de regiões inteiras.
Aceno à Igreja Católica
Keiko Fujimori afirmou que, respeitando a liberdade de culto, reconhecerá a importância da Igreja Católica na formação cultural e moral do Peru. A declaração foi interpretada como um gesto de aproximação com setores conservadores, que valorizam a influência da instituição religiosa na sociedade.
Embora o Estado peruano seja laico, a menção à Igreja Católica reflete a relevância histórica da fé católica no país. A fonte não detalhou como esse reconhecimento se traduzirá em políticas concretas, mas a fala foi recebida com aplausos por parte dos parlamentares presentes.
Com um mandato previsto até 2031, Keiko Fujimori inicia sua gestão diante de desafios múltiplos. As promessas de segurança, reformas e resposta a desastres naturais ecoaram em um país que espera resultados concretos, enquanto o fujimorismo tenta consolidar seu retorno ao poder depois de mais de duas décadas.
