O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou o Instagram neste domingo (9), Dia dos Pais, para fazer uma cobrança pública à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). Em resposta a um vídeo divulgado por ela, Flávio pediu que a deputada grave um material de apoio à candidatura do irmão, Carlos Bolsonaro, ao Senado por Santa Catarina. A publicação, no entanto, veio acompanhada de uma condição: o uso da imagem do senador e do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro pela deputada dependerá da gravação do vídeo. Campagnolo afirmou que não recebeu solicitação formal para isso.
Cobrança pública no Dia dos Pais
A cobrança ocorreu em um comentário público, o que amplia o alcance da mensagem. No vídeo que motivou a reação, Campagnolo aparece dando um beijo no rosto de Flávio e cumprimentando-o em um evento conjunto. O material, segundo a deputada, havia sido gravado em maio, mas só foi recebido por ela recentemente. A deputada afirmou que o vídeo chegou sem qualquer orientação ou condição para a publicação. Flávio, por sua vez, respondeu com um pedido que mistura elogio e exigência.
O comentário de Flávio
No comentário, Flávio escreveu que gostaria que Campagnolo gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Messias Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, seu irmão Carlos Bolsonaro. Ele citou a necessidade de contar com Carlos e com Caroline de Toni no Senado em 2027. A menção a dois nomes em uma mesma mensagem sugere que a campanha no estado está sendo planejada de forma conjunta. Campagnolo, no entanto, afirmou que está à disposição da chapa majoritária do partido para gravações e ações de campanha. A fala dela, contudo, não confirmou a gravação do vídeo.
O vídeo e a data simbólica
Campagnolo explicou que a divulgação do vídeo foi programada para a véspera do Dia dos Pais. A data foi escolhida por causa da mensagem de conciliação entre homens e mulheres e pelo fato de Flávio ser pai de duas meninas. A deputada não detalhou como recebeu o material, mas afirmou que não havia condições atreladas. A diferença entre a interpretação de Campagnolo e a de Flávio é um dos pontos centrais da polêmica. Enquanto ela viu o gesto como uma aproximação, ele tratou o episódio como uma oportunidade de cobrar contrapartida.
A menção a 2027 indica que a articulação política já considera o próximo mandato. Campagnolo, ao afirmar que seguirá trabalhando para concretizar os objetivos do PL em Santa Catarina, sinaliza que não pretende romper com a direção partidária. Ela também disse estar à disposição da chapa majoritária para ações de campanha. No entanto, a falta de um pedido formal ainda é um ponto de atrito.
Condição estabelecida por Flávio
Flávio condicionou o uso de sua imagem e da de Jair Bolsonaro pela deputada à gravação do vídeo de apoio a Carlos. A condição foi explicitada no mesmo comentário em que ele fez a cobrança. Segundo o senador, caso Campagnolo não possa gravar o material, ele vai compreender, mas pedirá que ela não use mais sua imagem nem a de Jair. Essa declaração é uma forma de pressionar a deputada a agir em conformidade com os interesses da campanha. A ameaça de veto, ainda que condicional, tem peso simbólico.
Reação inesperada
Para Campagnolo, a exigência parece ter chegado de forma inesperada. Ela afirmou que o vídeo foi recebido sem qualquer orientação ou condição, o que sugere que a regra foi criada posteriormente. A deputada também não comentou diretamente a ameaça de Flávio, mas afirmou que segue à disposição do partido. A contradição entre as versões, no entanto, expõe uma falta de alinhamento na estratégia de comunicação. O episódio pode indicar que a campanha bolsonarista em Santa Catarina precisa de uma coordenação mais clara.
A versão de Campagnolo
Campagnolo afirmou que, até o momento, não recebeu nenhuma solicitação formal para gravar o vídeo. Ela disse estar à disposição da chapa majoritária do partido para gravações e ações de campanha, o que sugere que não se opõe à ideia. A deputada também disse que seguirá trabalhando para concretizar os objetivos definidos pelo PL em Santa Catarina. Sua resposta, porém, não inclui um compromisso explícito de atender ao pedido de Flávio. A postura é de cooperação condicional, mas sem submissão.
Contexto da publicação
A deputada também contextualizou o vídeo publicado. Segundo ela, o material foi gravado em maio, em um evento conjunto com Flávio. A demora entre a gravação e a publicação não foi explicada por ela, mas a data escolhida, véspera do Dia dos Pais, foi justificada. Campagnolo destacou a mensagem de conciliação entre homens e mulheres e o fato de Flávio ser pai de duas meninas. Essa justificativa contrasta com a interpretação de Flávio, que viu no vídeo uma oportunidade de cobrar apoio político.
Articulação para 2027
Em seu comentário, Flávio afirmou que precisa de Carlos Bolsonaro e de Caroline de Toni no Senado em 2027. A declaração revela que a candidatura de Carlos é uma prioridade para o senador. Caroline de Toni, embora não tenha sido detalhada, também é citada como nome necessário para a próxima legislatura. A referência a ambos indica que a estratégia eleitoral do PL em Santa Catarina passa por esses dois nomes. Campagnolo, por sua vez, não comentou a menção a Caroline de Toni.
Estratégia partidária
A cobrança pública de Flávio pode ser vista como uma tentativa de alinhar a base aliada antes do período eleitoral. No entanto, a forma como foi feita, em um comentário no Instagram, sugere um certo desgaste. A deputada, ao responder de maneira institucional, busca manter uma imagem de lealdade ao partido. O desfecho do episódio dependerá da capacidade de diálogo entre as partes. A fonte não detalhou os próximos passos da articulação.
Próximos passos
Diante do impasse, resta acompanhar se a deputada atenderá à solicitação de Flávio. A resposta de Campagnolo, até agora, não confirma nem nega a gravação do vídeo. O episódio, no entanto, evidencia as tensões internas da campanha bolsonarista em Santa Catarina. A exigência de Flávio, ao mesmo tempo que pressiona, também revela uma preocupação com o controle da imagem pública. O tempo dirá se a ameaça de veto será colocada em prática.
Fonte
- www.conexaopolitica.com.br
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