Resumo: A Polícia Federal aponta Lulinha como beneficiário indireto de esquema para facilitar contratos de canabidiol com o Ministério da Saúde. A investigação corre no STF e foi revelada pela revista Veja nesta quinta-feira, 20. Mensagens citam o filho do presidente Lula como referência decisória nas tratativas.

Investigação no STF

A Polícia Federal (PF) aponta o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como beneficiário indireto de articulações que visavam facilitar contratos públicos de fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. As informações constam em relatórios recentes da PF, acessados pela revista Veja, que publicou a reportagem nesta quinta-feira, 20. Segundo a publicação, Lulinha está no centro de três inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem teve acesso a documentos da investigação, que servem de base para as conclusões da Polícia Federal. As apurações indicam que Roberta Luchsinger, empresária e lobista, teria atuado para facilitar o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. Nesse contexto, Lulinha teria sido citado como referência decisória nos projetos discutidos. Os documentos também apontam que a atuação do trio extrapolava o lobby, incluindo facilitação de contratos públicos e promoção de mudanças legislativas. A fonte não detalhou o status processual dos inquéritos.

Atuação do grupo: lobby e contratos

De acordo com a Polícia Federal, a atuação do grupo formado por Lulinha, Roberta e Fernando Bittar extrapolava as atividades de lobby. Os investigadores citam a facilitação de contratos públicos, a promoção de mudanças legislativas para interesses privados e pagamentos a agentes públicos de alto escalão como parte das práticas suspeitas. O caso tramita em sigilo no STF, onde o filho do presidente é alvo de três inquéritos. As investigações correm em caráter reservado, e os detalhes foram revelados pela revista Veja. A fonte não detalhou a manifestação dos citados.

Os relatórios recentes da PF mostram que Lulinha teria se beneficiado indiretamente das articulações feitas por Roberta. A lobista, conforme os documentos, atuava para viabilizar a venda de medicamentos de canabidiol ao Ministério da Saúde. As tratativas envolviam também tentativas de influenciar mudanças legislativas, o que, na avaliação dos investigadores, amplia o alcance do esquema. A PF ressalta que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução desses interesses junto ao ministério e ao gabinete presidencial. Os diálogos analisados indicam uma rede de relações que incluía ex-assessores de Lula.

Lulinha como referência decisória

Em trecho da investigação, a PF afirma: “As comunicações revelam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos”. A frase consta em documentos obtidos pela Veja e integra a representação encaminhada ao STF. Segundo os autos, Roberta mencionava Lulinha como peça decisória em projetos que buscavam mudanças legislativas e contratos públicos. Os investigadores também escrevem: “Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”. Essas menções são apontadas como indícios da participação do filho do presidente nos negócios.

Além disso, a PF destaca que os elementos indicam que Lulinha teria “aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”, conforme trecho do documento. Esse trecho é usado para sustentar a suspeita de que, mesmo sem aparecer formalmente, Lulinha teria interesse direto nos projetos. A investigação busca esclarecer a extensão da relação entre Roberta e o filho do presidente, bem como o eventual repasse de vantagens. Os diálogos foram obtidos a partir de quebras de sigilo autorizadas pelo STF. A fonte não detalhou se houve manifestação da defesa de Lulinha.

Viagem à Espanha

A Polícia Federal identificou mensagens de Roberta que mencionam a necessidade de Lulinha deixar o Brasil até junho de 2025, período em que ele se mudou para a Espanha. Esse dado é destacado nos relatórios como um possível indicativo de que o filho do presidente teria ciência das investigações. A apuração não detalha o conteúdo completo das conversas, mas a menção à viagem aparece em ao menos uma das comunicações. A mudança para a Espanha ocorreu no período indicado, conforme a própria investigação.

Intermediação de reunião

A apuração mostra que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, teria intermediado uma reunião entre Roberta e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. O encontro teria como objetivo tratar de interesses ligados ao mercado do canabidiol. A PF ressalta que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução desses interesses junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial. No documento, os investigadores afirmam que Lulinha teria “aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”. Esse trecho é usado como evidência da participação indireta do filho do presidente.

Sociedade oculta e comunhão de interesses

Em representação encaminhada ao STF, a PF afirma que Lulinha mantinha “comunhão de interesses econômicos” com Roberta e Fernando Bittar, ex-dono do sítio de Atibaia (SP), investigado na Lava Jato. Os três são suspeitos de manter uma “sociedade oculta” em negócios ligados à Cannabis medicinal, com tentativas de venda ao Ministério da Saúde. No documento, a PF explica: “Os elementos reunidos indicam que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução de interesses relacionados ao mercado do canabidiol junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial, tendo Fábio Luís Lula da Silva aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”. O caso segue sob análise do STF, e a fonte não detalhou outros desdobramentos.

A reportagem da Veja foi originalmente publicada no site Paulo Figueiredo, conforme indicado na própria publicação. A revista teve acesso a documentos da investigação, que servem de base para as conclusões da PF. Os relatórios ainda apontam que a atuação do trio incluía pagamentos a agentes públicos de alto escalão. O Supremo Tribunal Federal é o responsável por autorizar novas diligências no âmbito dos inquéritos. A fonte não detalhou se os citados apresentaram defesa.

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