O resultado das eleições legislativas deste domingo (4) fizeram ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) enxergar “risco concreto” de impeachment de alguns de seus integrantes já no primeiro semestre do próximo ano, de acordo com apuração da Folha de S.Paulo. A avaliação circula nos bastidores da Corte e reflete a nova configuração do Congresso Nacional. A preocupação não se limita a um único nome, mas abrange diferentes perfis de magistrados.
Interlocutores do ministro Alexandre de Moraes temem que ele sequer chegue a assumir a presidência da Corte em setembro de 2027. Moraes é um dos alvos preferenciais de setores políticos que defendem sua saída do tribunal. A possibilidade de um processo de impeachment contra ele ganhou força após o avanço de partidos de oposição nas urnas.
O entorno de Flávio Dino também acredita que o ministro indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa acabar destituído pelo novo Senado. Dino, que assumiu a cadeira no STF após indicação do Executivo, enfrenta resistência em parte da base parlamentar. A leitura é de que o Senado renovado teria disposição para analisar pedidos contra o magistrado.
Sem revelar nomes, o veículo de imprensa afirma que dois ministros da Corte avaliam que será necessário buscar diálogo com parlamentares do Partido Liberal (PL) que forem mais “moderados”. A estratégia seria reduzir a pressão por processos de impeachment e preservar a estabilidade institucional. A aproximação com alas menos radicais do PL é vista como um caminho para conter eventuais pedidos de afastamento.
Risco concreto preocupa ministros do STF
A expressão “risco concreto” usada nos bastidores indica que a ameaça deixou de ser abstrata. Ministros passaram a tratar o impeachment como cenário plausível, não apenas retórica política. A mudança de tom ocorre após a eleição de novos parlamentares alinhados a pautas de enfrentamento ao Judiciário.
O primeiro semestre do próximo ano é apontado como janela crítica para eventuais pedidos. A instalação da nova legislatura e a eleição das mesas diretoras podem acelerar ou travar processos. A fonte não detalhou quais ministros seriam os alvos prioritários, mas o clima é de alerta generalizado.
Moraes sob pressão antes da presidência
Alexandre de Moraes é figura central nas tensões entre o STF e o Congresso. Suas decisões em inquéritos sensíveis o tornaram alvo de críticas constantes de parlamentares. A presidência da Corte, prevista para setembro de 2027, dependeria de sua permanência no cargo.
Interlocutores próximos ao ministro avaliam que o risco de impeachment pode inviabilizar essa sucessão. A simples abertura de um processo já geraria instabilidade institucional. A fonte não detalhou se Moraes pretende adotar alguma medida preventiva.
Dino na mira do novo Senado
Flávio Dino, indicado por Lula, também é visto como vulnerável. O novo Senado pode ter maioria disposta a analisar pedidos de destituição contra ele. A avaliação no entorno do ministro é de que o risco é real e imediato.
A eventual saída de Dino representaria um revés para o governo e para a composição atual da Corte. A fonte não detalhou quais seriam os fundamentos jurídicos de um eventual pedido. O cenário, porém, é tratado como possibilidade concreta nos bastidores.
Diálogo com moderados do PL
Dois ministros, cujos nomes não foram revelados, defendem a aproximação com parlamentares do PL considerados “moderados”. A ideia é construir pontes para reduzir a pressão por impeachment. O PL é o partido com maior bancada na Câmara e forte presença no Senado.
A estratégia reconhece que nem todos os integrantes do partido defendem o confronto direto com o STF. Buscar aliados nesse grupo poderia isolar os setores mais radicais. A fonte não detalhou se já houve contatos iniciais ou apenas avaliação interna.
O cenário descrito pela apuração da Folha de S.Paulo indica um STF em posição defensiva. A busca por diálogo com o Legislativo sinaliza tentativa de reduzir atritos. O desfecho dependerá da articulação política nos próximos meses.
