A família Sarney, uma das mais longevas dinastias políticas do Brasil, ficará sem nenhum integrante em mandato eletivo a partir de 2027. O marco histórico foi confirmado com a derrota de Roseana Sarney (MDB) na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Maranhão nas eleições de 2026. A derrota encerra um ciclo de 72 anos, iniciado por José Sarney em 1954, que atravessou três gerações e moldou a política maranhense e nacional.
Roseana, única integrante da família a disputar as eleições de 2026, terminou em terceiro lugar, com 16,37% dos votos. Os eleitos foram André Fufuca (PP), com 21,43%, e Lahesio Bonfim (Novo), com 20,65%. Com esse resultado, a família Sarney não terá representantes em cargos eletivos pela primeira vez desde a eleição de José Sarney para deputado federal, há mais de sete décadas.
O fim de uma hegemonia política
A trajetória política da família Sarney começou em 1954, quando José Sarney foi eleito deputado federal pelo Maranhão. Desde então, o clã manteve presença constante nos legislativos e executivos, em nível estadual e federal. A derrota de Roseana, portanto, representa não apenas uma derrota pessoal, mas o encerramento de um ciclo de poder que se confundiu com a própria história política do Maranhão.
Roseana Sarney foi a principal sucessora política do pai. Ela comandou o Maranhão em quatro mandatos como governadora, além de ter exercido mandato de senadora. Em 2022, voltou à Câmara dos Deputados e conquistou uma vaga pelo estado, mandato que se encerra em janeiro de 2027. A tentativa de retornar ao Senado, contudo, não obteve o apoio necessário das urnas.
Trajetória de Roseana e a terceira geração
Além de Roseana, outros membros da família tiveram atuação política relevante. Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney, exerceu oito mandatos como deputado federal, além de ocupar outros cargos públicos. Na terceira geração, Adriano Sarney, neto de José Sarney, exerceu dois mandatos como deputado estadual, mas não disputou as eleições de 2026.
A ausência de candidaturas de outros integrantes da família nas eleições de 2026 reforça o caráter definitivo do encerramento do ciclo. Com a derrota de Roseana e a não participação de Adriano, nenhum outro nome do clã ocupará cadeira eletiva a partir do próximo ano.
Impacto no cenário político maranhense
A perda de representação da família Sarney no Congresso e no governo estadual pode reconfigurar as alianças políticas no Maranhão. Por décadas, o grupo exerceu influência direta sobre a distribuição de recursos e a definição de políticas públicas no estado. A eleição de André Fufuca e Lahesio Bonfim sinaliza uma possível renovação na representação maranhense no Senado.
Embora a fonte não tenha detalhado os desdobramentos futuros, o resultado eleitoral indica um distanciamento do eleitorado em relação à tradicional liderança da família. A votação de Roseana, inferior à de seus concorrentes, sugere uma mudança no comportamento do eleitor maranhense, que optou por nomes menos vinculados à velha política.
O legado de José Sarney
José Sarney, patriarca da família, construiu uma carreira política que incluiu a Presidência da República, o Senado e o governo do Maranhão. Sua influência se estendeu por décadas, e sua família se tornou sinônimo de poder no estado. O encerramento do ciclo de 72 anos marca o fim de uma era na política brasileira, ainda que o legado e as redes de influência possam perdurar em outras esferas.
A derrota de Roseana, portanto, não é apenas um fato eleitoral isolado, mas um divisor de águas na história política do Maranhão. A partir de 2027, o estado seguirá sem a presença da família Sarney em cargos eletivos, encerrando um capítulo que começou há mais de sete décadas.
