O banqueiro Vorcaro teria oferecido um banquete de luxo ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um encontro que durou cerca de quatro horas e meia e incluiu iguarias como caviar beluga, trufas brancas e vinhos raros. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que teve acesso a detalhes do evento realizado no interior paulista. O jantar ocorreu antes da assinatura de um contrato comercial entre o grupo financeiro e a família do magistrado.

Segundo a reportagem, o cardápio reservado ao magistrado incluiu caviar beluga, trufas brancas de R$ 24 mil o quilo, vieiras e carnes nobres. O banqueiro teria retirado de sua adega particular rótulos como La Tâche, Haut-Brion e Château Mouton Rothschild, com garrafas cotadas em dezenas de milhares de reais. A seleção de vinhos demonstra o cuidado na preparação do encontro, que contou com a presença de um chef renomado.

O chef José Maria Meira posou para fotos com o ministro e enviou o registro ao empresário ao fim do encontro. “Esse cara está precisando de um abraço”, escreveu o cozinheiro ao relatar o sucesso do banquete. “E claro um pouco de caviar com claras e gemas.” A mensagem sugere uma atmosfera de proximidade e atenção às preferências do convidado.

Orientações para evitar constrangimento

O Globo também afirma que o banqueiro orientou a equipe a evitar a citação de seu nome durante o evento para não constranger o magistrado. A medida teria sido tomada para preservar a discrição do encontro. Além disso, o empresário ordenou a entrega de uma caixa de vinhos como presente na saída do hóspede, um gesto que reforça o caráter personalizado da recepção.

A cautela em não mencionar o anfitrião indica uma preocupação com a exposição pública do ministro. A entrega do presente, por sua vez, sugere uma intenção de agradar e fortalecer laços. Esses detalhes, se confirmados, revelam um planejamento minucioso do evento.

Contrato milionário com escritório da esposa

A recepção de luxo no interior paulista antecedeu a assinatura de um contrato comercial entre o grupo financeiro e a família do magistrado. O ex-dono do Master fechou um acordo de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher de Moraes, em janeiro de 2024. O valor expressivo chama a atenção para a relação entre o encontro social e o negócio firmado.

O contrato previa pagamentos ao longo de três anos e passou por edições dentro do próprio gabinete do ministro no STF. A defesa de Viviane reitera a legalidade da prestação de serviços, enquanto Moraes e Vorcaro não se manifestaram sobre o almoço. A ausência de comentários dos envolvidos deixa espaço para questionamentos sobre a natureza da relação.

A cronologia dos fatos levanta dúvidas sobre possível influência ou favorecimento, embora não haja evidências de irregularidade. O silêncio das partes citadas contribui para a especulação pública. A fonte não detalhou se o contrato foi executado ou se houve pagamentos efetivos.

Repercussão e falta de manifestação

Até o momento, não houve manifestação oficial do ministro Alexandre de Moraes ou do banqueiro Vorcaro sobre o almoço. A defesa de Viviane Barci, por sua vez, afirmou que a prestação de serviços é legal e dentro dos padrões. A ausência de posicionamento dos principais envolvidos mantém o caso em aberto na opinião pública.

O episódio reacende o debate sobre a conduta de autoridades e a proximidade com o setor privado. Especialistas ouvidos pela reportagem não se pronunciaram sobre o caso específico. A fonte não detalhou se houve investigação formal sobre o encontro ou o contrato.

A revelação do banquete e do contrato levanta questões sobre ética e transparência no serviço público. A falta de respostas oficiais pode aumentar a pressão por esclarecimentos. O caso segue sem desdobramentos públicos até o fechamento desta edição.

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