A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Make Up, cumprindo mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, responsável pelo filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), ocorreu em quatro unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O objetivo é colher provas sobre supostos desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.
Segundo a PF, há indícios de que agentes públicos e privados tenham direcionado valores para empresas subcontratadas de forma irregular, sem a devida comprovação da efetiva prestação dos serviços. A investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação mira repasses de emendas parlamentares
O foco central da apuração é o destino dado a R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina Gama. De acordo com a PF, os repasses podem ter sido utilizados de maneira irregular, com indícios de direcionamento a empresas subcontratadas sem que os serviços tenham sido efetivamente prestados. A suspeita é de que o esquema envolva a simulação de contratos e a emissão de notas fiscais falsas para justificar o uso do dinheiro público.
O deputado, por sua vez, já se manifestou ao STF afirmando que os recursos indicados por ele tinham finalidade social e não foram destinados à produção do filme. A defesa de Mário Frias sustenta que as emendas foram aplicadas em projetos sociais do instituto, sem qualquer vínculo com a obra cinematográfica. A produtora Karina Gama também nega irregularidades e declarou, nesta quinta-feira, que os recursos foram aplicados corretamente.
As versões apresentadas pelos investigados contrastam com os indícios levantados pela PF, que apontam para a possibilidade de desvio de finalidade. A investigação busca esclarecer se houve, de fato, a utilização indevida das verbas parlamentares e se os serviços contratados foram realizados conforme o declarado. A fonte não detalhou o montante total de recursos sob suspeita, limitando-se a informar que as apurações estão em andamento.
Operação Make Up cumpre mandados em quatro estados
As buscas foram realizadas em endereços ligados aos investigados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A ação mobilizou equipes da PF e da CGU, que recolheram documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam auxiliar na investigação. O nome da operação, “Make Up”, faz referência ao universo da produção audiovisual, sugerindo a tentativa de mascarar a real destinação dos recursos.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo apreendido ou sobre eventuais prisões. A PF informou apenas que os mandados foram cumpridos sem incidentes e que o material será analisado nos próximos dias. A expectativa é que a análise dos documentos e dispositivos eletrônicos ajude a esclarecer o fluxo financeiro e a identificar os responsáveis pelas supostas irregularidades.
A operação representa um avanço significativo na apuração, pois permite o acesso a provas que podem confirmar ou descartar as suspeitas iniciais. A CGU, por sua vez, deve auxiliar na análise da execução orçamentária e na verificação da regularidade dos contratos firmados com as empresas subcontratadas.
Defesas negam irregularidades e apontam finalidade social
Mário Frias, em manifestação ao STF, afirmou que as emendas parlamentares de sua autoria foram destinadas a projetos sociais do Instituto Conhecer Brasil, sem qualquer relação com a produção do filme “Dark Horse”. O deputado argumentou que a entidade desenvolve atividades de cunho social e que os recursos foram aplicados de acordo com a legislação vigente. A defesa do parlamentar reforçou que não há qualquer irregularidade na destinação das verbas.
Karina Gama, produtora do filme e presidente do instituto, também negou as acusações. Em declaração nesta quinta-feira, afirmou que os recursos foram aplicados corretamente e que todas as prestações de contas foram apresentadas aos órgãos competentes. A produtora ressaltou que o filme “Dark Horse” foi financiado por outras fontes, sem uso de emendas parlamentares.
A divergência entre as versões dos investigados e os indícios da PF será objeto de análise no decorrer da investigação. A PF deverá confrontar os documentos apreendidos com as alegações apresentadas, a fim de verificar a veracidade das informações. A fonte não detalhou se houve pedido de quebra de sigilo bancário ou fiscal dos envolvidos.
Investigação difere de apuração sobre financiamento do filme
A Operação Make Up não se confunde com outra investigação em curso no STF, conduzida pelo ministro André Mendonça, que apura os recursos de Daniel Vorcaro destinados ao filme “Dark Horse”. Nesse caso, são investigados os repasses feitos para financiar a produção, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. A apuração atual, autorizada por Flávio Dino, tem como foco as emendas parlamentares de Mário Frias e a atuação do Instituto Conhecer Brasil.
As duas investigações, embora relacionadas ao mesmo filme, tratam de fatos distintos e envolvem personagens diferentes. A primeira analisa a origem e o destino dos recursos privados investidos na produção, enquanto a segunda se concentra no uso de verbas públicas provenientes de emendas. A PF não informou se há compartilhamento de provas entre os dois procedimentos.
A existência de investigações paralelas evidencia a complexidade do caso e a necessidade de apuração minuciosa. O STF, ao autorizar as buscas, sinalizou a existência de indícios suficientes para justificar a medida. A fonte não detalhou os próximos passos da investigação, mas é esperado que novas diligências sejam realizadas.
Próximos passos da apuração
Com o material apreendido, a PF e a CGU devem iniciar a análise técnica dos documentos e equipamentos eletrônicos. A perícia deverá identificar possíveis vínculos entre os investigados, as empresas subcontratadas e o fluxo de recursos. Também será verificado se os serviços contratados foram efetivamente executados e se os valores pagos correspondem aos serviços prestados.
Os investigados poderão ser ouvidos novamente, e novas medidas cautelares podem ser solicitadas à Justiça, dependendo do resultado das análises. A PF não descarta a possibilidade de novos mandados de busca ou até mesmo de prisão, caso sejam encontrados elementos que indiquem a continuidade das práticas ilícitas. A fonte não detalhou prazos para a conclusão do inquérito.
A Operação Make Up reforça o compromisso das autoridades no combate ao desvio de recursos públicos, especialmente aqueles provenientes de emendas parlamentares. A transparência na aplicação dessas verbas é fundamental para garantir a correta destinação dos recursos e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.
Fonte
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