Liquidação da holding Vorcaro facilita rastreio da Interpol
Em decisão da Suprema Corte das Ilhas Cayman, a holding do luxo do banqueiro Vorcaro foi liquidada, informaram fontes ligadas ao caso Master. O movimento deve facilitar que a Interpol e autoridades de outros países rastreiem dinheiro do empresário fora do Brasil.
A determinação ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga o colapso do Banco Master.
Paraíso fiscal perde sigilo
As Ilhas Cayman são consideradas um dos principais paraísos fiscais do mundo. Não cobram impostos sobre renda, lucros, ganhos de capital ou corporativos para empresas registradas que operam fora do território. Foi nesse ambiente que funcionava a holding do luxo de Vorcaro, cuja liquidação partiu da Suprema Corte local.
Com o encerramento definitivo, os antigos controladores e diretores perdem qualquer poder de gestão sobre contas e ativos vinculados à empresa. Segundo fontes ligadas às investigações do caso Master e da Operação Compliance Zero, o movimento das Ilhas Cayman deve facilitar que outros países abram dados bancários protegidos onde esses ativos possam estar.
Alerta Prata amplia alcance
O pedido para rastrear o dinheiro de Vorcaro foi formalizado por meio do mecanismo Silver Notice (Alerta Prata), criado para perseguir internacionalmente bens de investigados ou condenados por crimes financeiros. A corporação afirma que o mapeamento vai embasar medidas de bloqueio, confisco e repatriação, caso a Justiça conclua que os ativos têm origem ilícita. A ferramenta é um dos mecanismos à disposição das autoridades para seguir o rastro do dinheiro.
Com a liquidação nas Ilhas Cayman, o alcance da medida passa a valer potencialmente em qualquer país onde a Titan mantenha ativos, por meio de acordos de cooperação jurídica internacional. Para a analista Regina Martins, bancos e instituições que guardem recursos ligados à holding podem ser notificados a travar movimentações. A corporação teme que o banqueiro consiga blindar esses recursos revendendo propriedades ou transferindo para terceiros.
Titan Capital no centro da trama
De acordo com o Coaf e a Polícia Federal, a Titan Capital teria sido usada como peça central de um esquema de suposto esvaziamento patrimonial e lavagem de dinheiro ligado ao colapso do Banco Master. As transferências milionárias ocorreram poucos meses antes da liquidação do Master e da primeira prisão de Vorcaro. A Titan teria sido utilizada pelos administradores do banco para esconder valores da Justiça, enviando-os ao exterior.
A tentativa de rastrear o patrimônio de Vorcaro fora do país quer identificar possíveis ocultações antes ou depois da quebra do conglomerado. Em investigações que resultaram na primeira prisão, a Titan figurava com participações em cerca de 30 negócios, a maior parte liquidada.
Entre os ativos da holding estavam:
- um restaurante de luxo;
- uma mineradora;
- companhias de energia e água.
Antes da decisão das Ilhas Cayman, os ativos da holding haviam sido alvo de bloqueio determinado pelo Banco Central em março deste ano no Brasil.
Credores na fila
Uma empresa com garantias atreladas a empréstimos concedidos ao Credcesta deve figurar entre as primeiras posições na fila de pagamentos. O CredCesta é um cartão de crédito consignado para servidores públicos, operado pelo Banco Master. O produto se tornou um dos principais canais de expansão da instituição e ainda está em operação.
O Grupo Fictor estaria na lista de credores. O grupo havia anunciado a compra do Master após o Banco Central vetar a aquisição pelo BRB. Além disso, teria transferido R$ 30 milhões à holding. Procurado, não comentou a operação.
Vorcaro segue preso
As apurações da Operação Compliance Zero levaram à primeira prisão de Vorcaro em novembro do ano passado. Em março deste ano, houve uma segunda prisão durante a terceira fase da operação. O banqueiro permanece preso até o momento.
Próximos passos
A liquidação da holding no exterior abre novas frentes de investigação. O rastreamento internacional, porém, depende da cooperação entre os países e do avanço das apurações. As autoridades seguem mapeando os ativos para embasar futuras decisões judiciais.
O desfecho da liquidação nas Ilhas Cayman abre um novo capítulo nas investigações. O rastreamento internacional dos ativos da Titan Capital, por meio do Silver Notice, pode levar à recuperação de valores enviados ao exterior. Os próximos passos dependem da cooperação entre os países e do avanço das apurações.
O caso Master continua sob investigação. A polícia e o Coaf apontam a participação de administradores no suposto esquema de esvaziamento patrimonial e lavagem de dinheiro. A liquidação da holding é um avanço para que os recursos sejam localizados e eventualmente recuperados.
