O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou, em entrevista coletiva na noite deste domingo, que não vai declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A declaração foi dada em Ribeirão Preto (SP), onde Cury acompanhou a apuração ao lado da família e do candidato a vice, Júlio Delgado (Podemos). Com 99,99% das urnas apuradas, ele havia recebido 3.448.565 votos, o equivalente a 2,89%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O anúncio marca uma posição de neutralidade explícita em um cenário polarizado. Cury, que se apresentou como alternativa fora da disputa tradicional, optou por não endossar nenhum dos nomes que avançaram para a etapa decisiva. A decisão, segundo ele, reflete o respeito à pluralidade de pensamentos entre seus eleitores e a convicção de que sua participação no pleito se encerra no primeiro turno.
Silêncio diante da polarização
Durante a entrevista, Augusto Cury foi enfático ao afirmar que não pretende se envolver na disputa entre os dois candidatos remanescentes. “Me silencio”, declarou, ao ser questionado sobre eventual apoio. A postura, ainda que incomum em um contexto de acirramento político, foi apresentada por ele como uma escolha coerente com sua trajetória de campanha, marcada por críticas ao que chamou de radicalização do debate público.
O candidato também pediu que ninguém fale em seu nome ou no de Júlio Delgado para declarar apoio a qualquer um dos concorrentes que avançaram ao segundo turno. A solicitação busca evitar interpretações equivocadas ou uso indevido de sua imagem por parte das campanhas adversárias. Cury ressaltou que a decisão é pessoal e definitiva, não cabendo a terceiros manifestarem posição em seu lugar.
A neutralidade anunciada por Cury contrasta com a movimentação de outros candidatos derrotados, que costumam negociar apoios em troca de espaço político. Ao optar pelo silêncio, o candidato do Avante sinaliza desinteresse em barganhas e reforça o discurso de independência que marcou sua campanha. A decisão, no entanto, pode frustrar parte de seus eleitores, que esperavam uma orientação clara para o segundo turno.
Respeito à decisão das urnas
Ao comentar o resultado, Augusto Cury afirmou que respeita a decisão dos eleitores e que considera a divergência parte essencial da democracia. Apesar de lamentar não poder, segundo ele, implementar as propostas defendidas durante a campanha, o candidato evitou críticas diretas ao sistema eleitoral ou aos adversários. A fala foi recebida como um gesto de maturidade política por apoiadores presentes no local.
O desempenho de Cury nas urnas ficou abaixo das expectativas de sua equipe, que projetava um avanço para o segundo turno. Com 2,89% dos votos válidos, o candidato terminou a disputa em uma posição distante dos líderes, mas não desprezível para uma candidatura de perfil independente. O resultado, ainda assim, não abalou sua convicção de que a campanha cumpriu um papel relevante ao apresentar propostas alternativas.
Ao longo da campanha, Cury defendeu pautas como a reforma do sistema educacional e a promoção da saúde mental, temas que considerava negligenciados pelos principais candidatos. A impossibilidade de colocá-las em prática, segundo ele, não diminui a importância do debate que sua candidatura proporcionou. A declaração foi acompanhada de agradecimentos aos eleitores e à equipe de campanha.
Futuro fora da política
Augusto Cury disse ter “100% de convicção” de que não continuará na política, embora tenha ressalvado que o futuro pode trazer mudanças. A afirmação, feita em tom sereno, foi interpretada como um encerramento de ciclo para o escritor e psiquiatra, que entrou na disputa presidencial como uma aposta de renovação. A ressalva, porém, deixa espaço para uma eventual reconsideração, ainda que remota.
O candidato não detalhou quais serão seus próximos passos, mas indicou que pretende retomar suas atividades profissionais e acadêmicas. Cury é autor de dezenas de livros sobre psicologia e desenvolvimento pessoal, com milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior. Sua volta ao mercado editorial e às palestras, segundo fontes próximas, deve ocorrer já nos próximos meses.
A saída de Cury da política, se confirmada, encerra uma participação breve, porém marcante, no cenário eleitoral. Sua candidatura atraiu eleitores insatisfeitos com as opções tradicionais e trouxe para o debate temas como ansiedade, depressão e qualidade de vida. Ainda que não tenha alcançado o segundo turno, o candidato deixou uma marca no discurso político nacional.
Repercussão e expectativas
A decisão de Augusto Cury de não apoiar nenhum candidato no segundo turno gerou reações mistas entre analistas políticos. Para alguns, a neutralidade é uma demonstração de coerência e independência, enquanto outros avaliam que o silêncio pode ser interpretado como omissão em um momento decisivo para o país. A fonte não detalhou como a campanha de Cury pretende se posicionar nos próximos dias.
Enquanto isso, as campanhas de Lula e Bolsonaro seguem em busca de apoios entre os candidatos derrotados. A ausência de Cury nesse tabuleiro de negociações pode ser vista como uma perda para ambos os lados, já que seus 3,4 milhões de votos poderiam fazer diferença em um cenário de disputa acirrada. Ainda assim, o candidato do Avante manteve-se firme em sua posição de não interferir.
O segundo turno está marcado para o próximo dia 30, e a expectativa é de uma campanha intensa e polarizada. A postura de Cury, ao se colocar à margem do processo, reforça a imagem de um candidato que priorizou princípios em detrimento de alianças pragmáticas. Resta saber se seus eleitores seguirão sua orientação de silêncio ou buscarão, por conta própria, um posicionamento para a etapa final.
