A propaganda eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi transmitida sem áudio na tarde do feriado de Nossa Senhora Aparecida, por volta das 13h. Enquanto as imagens do programa do candidato do PL foram ao ar sem som, a propaganda seguinte, do presidente Lula (PT), foi exibida normalmente. O episódio gerou acusações do candidato contra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), presidida por Antonia Pellegrino, mulher do deputado Marcelo Freixo (PT-RJ).

A estatal, porém, negou ter participado da operação e atribuiu a responsabilidade ao pool de emissoras encarregado da transmissão do horário eleitoral.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que sua propaganda foi transmitida sem som, enquanto a de Lula teve áudio normal. O candidato levantou dúvidas sobre a possibilidade de o episódio ter sido acidental. “Hoje, pela primeira vez na história de uma campanha presidencial, o meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo”, declarou. “O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu transmitido sem som.”

Em outro trecho, o candidato questionou a coincidência. “Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência. Eles acham que vão calar minha voz, não vão calar, não vão conseguir”, afirmou. A campanha do PL disse que entregou o material “em perfeitas condições” e que o arquivo havia sido “averiguado e auditado pela plataforma homologada”. A equipe atribuiu o problema ao Pool de Mídia das Eleições 2026 e informou ter acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Quem é Antonia Pellegrino, presidente da EBC

Antonia Pellegrino assumiu a presidência da EBC em abril deste ano, escolhida pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Roteirista e gestora cultural, Pellegrino colaborou no documentário “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar de melhor documentário em 2020. O filme aborda o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a ascensão política de Jair Bolsonaro (PL).

A presidente da EBC chegou à empresa no início do atual governo Lula, em 2023, como diretora de Conteúdo e Programação. Nesse período, participou de mudanças na grade da TV Brasil e de iniciativas de produção audiovisual. Em abril deste ano, foi escolhida por Sidônio para comandar a estatal. A EBC administra veículos públicos como a TV Brasil, a Agência Brasil e as rádios Nacional e MEC. A empresa é vinculada à Secom, órgão responsável pela comunicação institucional do governo federal.

EBC nega responsabilidade pela transmissão

Em nota oficial, a EBC negou qualquer participação na falha. “NOTA À IMPRENSA: EBC NÃO TEVE PARTICIPAÇÃO EM FALHA NA EXIBIÇÃO DO PROGRAMA DO CANDIDATO FLÁVIO BOLSONARO”, diz o comunicado. A estatal afirmou que a falha de áudio atingiu igualmente todas as emissoras que transmitem o horário eleitoral gratuito e que toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras.

A EBC acrescentou que a exibição do horário eleitoral naquele dia estava a cargo de outra empresa integrante do pool e afirmou aguardar um posicionamento da ABERT sobre as causas do problema. A estatal também declarou que o SBT reconheceu publicamente ter se equivocado ao atribuir a responsabilidade à EBC. “Mais uma vez, a EBC refuta a informação de que foi responsável por qualquer erro. E agradece ao SBT por reconhecido publicamente que se equivocou ao acusar injustamente a EBC.

A EBC aguarda o pronunciamento da ABERT sobre as causas da ocorrência.”

Conteúdo da propaganda exibida sem áudio

A peça eleitoral exibida sem áudio foi preparada para o feriado religioso. “O dia da eleição vai passar e Nossa Senhora vai continuar sendo a padroeira. Lógico. Isso não vai mudar”, dizia a narração. O programa também apresentava propostas da campanha e participações da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da economista Daniella Marques.

A campanha do PL afirmou que o material foi entregue em condições adequadas e que o arquivo passou por auditoria da plataforma homologada. A equipe atribuiu a falha ao Pool de Mídia das Eleições 2026. A divergência entre as versões da campanha e da EBC permanece sem resolução até o momento. A fonte não detalhou se houve outras ocorrências semelhantes em propagandas anteriores.

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