A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo PL no Distrito Federal, vai percorrer diversas capitais do país neste segundo turno das eleições para reforçar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A movimentação foi confirmada por aliados próximos e ocorre em um momento decisivo da disputa, quando cada voto pode definir o resultado.
Segundo fontes ligadas à campanha, a decisão de Michelle de se engajar mais ativamente na reta final teria sido tomada depois de um pedido do próprio Jair Bolsonaro. O ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar e tem um quadro de saúde que exige atenção, teria solicitado pessoalmente que a esposa ajudasse na mobilização de eleitores.
Um dos critérios definidos para a escolha das cidades será a possibilidade de ir e voltar no mesmo dia. Michelle não quer ficar muito tempo longe de casa por causa dos cuidados com Bolsonaro. Essa condição logística restringe as viagens a capitais com boa malha aérea e voos diretos a partir de Brasília, onde a família reside.
Agenda prioriza logística de viagens curtas
A logística de deslocamento é um fator central no planejamento da agenda de Michelle. A ex-primeira-dama pretende retornar a Brasília todas as noites para acompanhar de perto a rotina de Jair Bolsonaro. Por isso, as cidades escolhidas devem oferecer opções de voos que permitam o retorno no mesmo dia, sem pernoites prolongados.
Essa exigência reduz o leque de destinos, mas ainda assim contempla importantes centros eleitorais. A fonte não detalhou quantas cidades serão visitadas, mas indicou que a campanha busca maximizar o impacto com o menor desgaste possível para Michelle. A estratégia também evita que a ex-primeira-dama fique exposta a longos períodos fora de casa, o que poderia gerar preocupação com a saúde do marido.
Aliados avaliam que a presença de Michelle em eventos regionais pode atrair eleitores indecisos e reforçar a base bolsonarista. A senadora eleita é vista como um ativo político importante, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, segmentos que podem ser decisivos no segundo turno.
Nordeste e Norte entram na rota
Embora o martelo ainda não tenha sido batido, Michelle Bolsonaro deve incluir cidades do Nordeste em sua agenda nos próximos dias. Salvador, na Bahia, e João Pessoa, na Paraíba, aparecem como destinos prováveis. A região concentra um grande colégio eleitoral e historicamente apresenta disputas acirradas, o que justifica o interesse da campanha.
Além do Nordeste, a ex-primeira-dama também pode visitar Macapá, no Amapá, e Manaus, no Amazonas. As duas capitais do Norte são consideradas estratégicas para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro fora dos grandes centros do Sul e Sudeste. A fonte não detalhou as datas exatas, mas indicou que os eventos devem ocorrer ainda nesta semana.
A escolha das cidades leva em conta não apenas o potencial eleitoral, mas também a infraestrutura de transporte. Salvador e Manaus, por exemplo, possuem aeroportos com voos frequentes para Brasília, o que facilita o cumprimento da exigência de retorno no mesmo dia. João Pessoa e Macapá também contam com conexões aéreas viáveis, embora com menor frequência.
Reaproximação após desentendimento público
A reaproximação entre Michelle e Flávio acontece meses depois de um desentendimento público entre os dois. Em junho, ainda no início da campanha, a ex-primeira-dama gravou um vídeo no qual criticava o enteado por supostamente ter sido agressivo com ela durante uma conversa ao telefone. O episódio gerou repercussão e levantou dúvidas sobre a unidade da família Bolsonaro na disputa eleitoral.
Na ocasião, Michelle afirmou que se sentiu desrespeitada e que a relação com Flávio estava abalada. O vídeo circulou amplamente nas redes sociais e foi interpretado como um sinal de racha interno. No entanto, interlocutores afirmam que o pedido de Jair Bolsonaro foi fundamental para superar as divergências e unir esforços em torno da candidatura de Flávio.
Agora, a presença de Michelle na campanha é vista como um gesto de reconciliação e de prioridade ao projeto político da família. A ex-primeira-dama não comentou publicamente sobre o desentendimento, mas sua disposição em viajar pelo país indica que as arestas foram aparadas, pelo menos temporariamente.
Desempenho eleitoral de Michelle no DF
Nas eleições do dia 4 de outubro, Michelle Bolsonaro foi a candidata mais votada ao Senado Federal, com 29,05% dos votos válidos (938,4 mil votos). O resultado expressivo no Distrito Federal reforçou seu capital político e a colocou como uma das principais lideranças do PL na região.
A segunda vaga no Senado ficou com sua aliada, Bia Kicis (PL), que recebeu 886,6 mil votos (27,44% dos válidos). A dobradinha vitoriosa demonstrou a força da chapa bolsonarista no DF e serviu de trampolim para que Michelle assumisse um papel mais ativo na campanha presidencial.
O desempenho nas urnas também aumentou a visibilidade de Michelle junto ao eleitorado conservador. Sua capacidade de mobilização é considerada um trunfo para Flávio Bolsonaro, que busca ampliar a votação em regiões onde o bolsonarismo ainda encontra resistência.
Impacto esperado na reta final
A entrada de Michelle na campanha de Flávio no segundo turno é vista como um movimento estratégico para consolidar apoios e atrair eleitores que não compareceram no primeiro turno. A ex-primeira-dama tem forte apelo entre mulheres e evangélicos, grupos que podem inclinar a balança em estados-chave.
Aliados avaliam que a presença física de Michelle em eventos regionais pode gerar engajamento nas redes sociais e cobertura da imprensa local, ampliando o alcance da mensagem de Flávio. A estratégia também busca neutralizar eventuais críticas sobre a ausência de Jair Bolsonaro na campanha, devido à prisão domiciliar.
Embora a agenda ainda não esteja fechada, a expectativa é de que Michelle cumpra uma maratona de viagens nos próximos dias. A fonte não detalhou o número exato de cidades, mas garantiu que a ex-primeira-dama está disposta a percorrer o país para garantir a vitória de Flávio Bolsonaro.
