Exportações russas crescem para China e Brasil

As exportações de petróleo e diesel da Rússia para a China e o Brasil registraram aumento expressivo em janeiro. O crescimento ocorre após o ex-presidente americano Donald Trump anunciar que a Índia concordou em parar de comprar petróleo russo.

Em troca, as tarifas americanas sobre produtos indianos serão reduzidas de 50% para 18%. O movimento reforça a reconfiguração dos fluxos energéticos globais desde o início do conflito na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

China amplia compras de petróleo russo

Recorde de importações de petróleo Urals

A China comprou mais de 1,5 milhão de barris de petróleo russo por via marítima no mês passado. Esse volume representa aumento significativo em relação aos 1,1 milhão de barris importados por dia em dezembro.

Grande parte dessa alta foi puxada por um recorde de 405 mil barris importados por dia de petróleo Urals. Esse é o maior nível desde 2023.

O petróleo Urals é composto por:

  • Petróleo pesado das regiões dos Urais/Volga
  • Petróleo leve da Sibéria

As exportações russas para a China já haviam aumentado desde o início da guerra na Ucrânia. Esse fluxo contínuo demonstra a resiliência dos laços comerciais entre os dois países.

Brasil retoma importações de diesel

Maior volume desde junho de 2024

No mês passado, as compras brasileiras de diesel russo voltaram a crescer. A média ficou em 151 mil barris por dia.

Esse volume representa:

  • O maior desde junho do ano passado
  • Aumento expressivo sobre os cerca de 58 mil barris por dia de dezembro

O Brasil foi em 2024 o segundo maior importador de diesel da Rússia. As importações caíram no segundo semestre de 2025 devido aos ataques da Ucrânia a refinarias russas.

A retomada das compras em janeiro sugere normalização dos suprimentos após os impactos dos ataques.

Turquia reduz compras de petróleo Urals

Enquanto China e Brasil aumentam as importações, a Turquia reduziu as compras de petróleo Urals em janeiro. O volume ficou em cerca de 250 mil barris por dia.

A média de importações pela Turquia em 2025 foi de 275 mil barris por dia. O país havia alcançado recorde de 400 mil barris por dia em junho do ano passado.

A fonte não detalhou os motivos específicos para a redução turca. Essa dinâmica regional destaca a complexidade do mercado global de petróleo.

Pressão de Trump sobre a Índia

Acordo comercial e ameaças futuras

Na semana passada, Trump anunciou que a Índia concordou em parar de comprar petróleo russo. Em troca, as tarifas americanas sobre produtos indianos serão reduzidas.

A redução inclui:

  • Eliminação dos 25% relativos às importações petrolíferas da Rússia
  • Diminuição da “tarifa recíproca”

Além disso, Trump ameaçou aplicar tarifas secundárias de 100% sobre quem importar da Rússia em 2025. A medida visa aumentar a pressão sobre Moscou.

O anúncio ajuda a explicar por que a Rússia intensificou as vendas para parceiros como China e Brasil.

Reconfiguração dos fluxos energéticos

Adaptação russa às novas realidades

Os dados de janeiro mostram reconfiguração nos destinos das exportações russas de petróleo e diesel. Com a Índia saindo do mercado por pressão americana, China e Brasil emergem como compradores-chave.

Esse movimento é parte de tendência mais ampla observada desde o início da guerra. A Rússia diversifica seus clientes para contornar sanções e pressões geopolíticas.

A dependência de poucos grandes compradores pode trazer riscos futuros para Moscou. Eventuais mudanças na política comercial desses países podem afetar novamente os fluxos.

Por enquanto, os números de janeiro indicam adaptação rápida da Rússia às novas realidades do mercado global.

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