Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (28) a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), ambas brasileiras, como organizações terroristas. A decisão foi tomada pelo Departamento de Estado norte-americano, que enquadrou os grupos em duas categorias distintas: “Organizações Terroristas Estrangeiras” (Foreign Terrorist Organizations, FTO) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (Specially Designated Global Terrorists, SDGT). A medida deverá entrar em vigor a partir de 5 de junho.

Dupla classificação e implicações

Segundo o Departamento de Estado, o enquadramento como Terrorista Global Especialmente Designado tem foco maior em sanções econômicas, congelamento de ativos e restrições relacionadas ao sistema financeiro dos Estados Unidos. Já a classificação como Organização Terrorista Estrangeira é considerada mais ampla e permite restrições severas, incluindo proibição de apoio material, bloqueios financeiros e ampliação de mecanismos de cooperação internacional. Essas medidas visam desarticular as operações das facções em âmbito global.

Declarações oficiais e contexto

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e possuem influência que ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e também território norte-americano. A decisão ocorre após meses de discussões dentro do governo dos EUA sobre a possibilidade de enquadrar grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas. O tema vinha gerando preocupação em setores do governo brasileiro por causa das possíveis consequências diplomáticas, econômicas e até de soberania decorrentes desse tipo de classificação.

Reações e precedentes regionais

Em 2025, governos como os da Argentina e do Paraguai já haviam adotado medidas para enquadrar PCC e Comando Vermelho em categorias associadas ao narcoterrorismo. Especialistas ouvidos em debates recentes sobre o tema apontam que a mudança pode levar a uma ampliação das ferramentas de combate utilizadas pelos Estados Unidos, incluindo sanções financeiras mais agressivas e maior integração entre mecanismos de contraterrorismo e combate ao crime organizado transnacional. A classificação representa um novo capítulo na luta contra o crime organizado na América Latina.

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