Disputa eleitoral divide instituto em Lisboa

O Fórum Internacional de Brasília em Lisboa (Fibe) enfrentou uma divisão interna nesta quinta-feira. A assembleia geral da entidade, sediada em Portugal e vinculada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, registrou a apresentação de uma chapa de oposição.

O grupo divergente contestava a gestão atual, refletindo diferentes visões sobre o futuro e a identidade da organização. A disputa ocorreu durante reunião matinal que definiu os rumos do instituto para os próximos anos.

Liderança da oposição

A chapa alternativa foi liderada pelo vice-presidente do fórum, o economista José Roberto Afonso, que também é professor do IDP. Ele rompeu com a gestão vigente para oferecer uma nova direção aos associados.

Procurado para comentar a situação, Afonso não respondeu às mensagens da reportagem. Da mesma forma, Gilmar Mendes também não retornou o contato solicitado.

Vitória consolida gestão atual

O resultado da assembleia geral mostrou clara vantagem para o grupo alinhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal. A chapa governista foi reeleita com 230 votos dos associados presentes.

Em contraste, a proposta de oposição liderada por Afonso recebeu apenas 73 votos. Houve também seis abstenções durante o processo de votação.

Mandato de quatro anos

Com a vitória, o mandato da gestão que permanece no comando será de quatro anos, conforme estabelecido pelo estatuto da entidade. A eleição consolida o controle do grupo atual sobre o fórum.

A derrota da oposição, no entanto, não apaga as questões levantadas durante a campanha. As propostas da chapa divergente continuam como ponto de discussão sobre o papel do instituto.

Proposta de transformação em think tank

A chapa de oposição defendia uma reforma estatutária para transformar o Fibe em um centro de estudos (think tank). Essa proposta buscaria reposicionar a instituição, focando mais na produção de pesquisas e análises.

Curiosa convergência terminológica

Em novembro de 2025, o próprio Gilmar Mendes descreveu o fórum como um “think tank” ao admitir que o evento “Gilmarpalooza” é financiado por diversas instituições, entre elas o Fibe.

José Roberto Afonso também dizia pretender transformar o fórum em um think tank durante sua campanha. A convergência terminológica, porém, não se traduziu em unidade política.

Composição da diretoria reeleita

O instituto sediado em Lisboa mantém sua estrutura de liderança após a eleição:

  • Presidente: Vitalino Canas (português)
  • Vice-presidente: José Roberto Afonso (economista professor do IDP)
  • Diretor-executivo: Eduardo Jorge Caldas (ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB)

Conselho consultivo de peso

O Fibe conta com um conselho consultivo que inclui:

  • Gilmar Mendes (ministro do STF)
  • Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente do Brasil)
  • Jorge Carlos Fonseca (ex-presidente de Cabo Verde, 2011-2021)

Rede de parcerias e financiamento

O Fibe mantém colaborações com diversas instituições, reforçando seu caráter internacional e intelectual:

Instituições acadêmicas parceiras

  • FGV
  • Universidade de Lisboa
  • Universidade de Coimbra
  • Centro Científico e Cultural de Macau

Think tanks colaboradores

O fórum também conta com parcerias como o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Premiação oferecida

O Fibe oferece um prêmio no valor de 6 mil euros (aproximadamente R$ 36,8 mil na cotação atual), integrando suas atividades e atraindo pesquisadores.

Futuro do fórum após a eleição

Com a reeleição da gestão atual, o Fibe deve manter seu curso anterior pelos próximos quatro anos. A derrota da chapa de oposição, no entanto, deixa questões em aberto sobre possíveis ajustes internos.

A proposta de transformação em think tank, embora rejeitada, pode influenciar debates futuros. A estabilidade da direção contrasta com o racha exposto durante o processo eleitoral.

O desafio será administrar as diferentes visões sobre o propósito da instituição enquanto se busca cumprir sua missão. A fonte não detalhou como serão tratadas as divergências internas após a votação.

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