Desde o último dia 20, hotéis, pousadas e outros meios de hospedagem no Brasil são obrigados a adotar integralmente o sistema de check-in digital. A ferramenta permite o preenchimento antecipado e online de dados via gov.br, por meio da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH).

A medida, instituída por portarias do Ministério do Turismo, já gerou reações contrárias de parlamentares de oposição, que tentam barrar a iniciativa no Congresso.

Oposição apresenta projeto para sustar portarias

Deputados do partido Novo apresentaram um projeto de decreto legislativo (PDL) para sustar as portarias do Ministério do Turismo que criaram a FNRH. O PDL 136/2026, segundo o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), tem como objetivo barrar um “avanço autoritário e defender a privacidade dos brasileiros”.

Para ele, “o mesmo governo que esconde, sob sigilo, quem entra e sai de residências oficiais quer agora monitorar onde o cidadão comum se hospeda”.

A proposta conta com apoio dos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Lima (Novo-RJ) e Ricardo Salles (Novo-SP). O grupo argumenta que os atos normativos “extrapolam o poder regulamentar e impõem restrições indevidas às liberdades individuais e à privacidade dos cidadãos brasileiros asseguradas pela Constituição Federal”.

Críticas à vigilância e à falta de justificativa

Na justificativa do PDL, os deputados destacam que o governo deve considerar princípios de necessidade, proporcionalidade e demonstrar claramente a finalidade pública da medida.

“No caso das referidas Portarias, não se evidencia qualquer justificativa concreta que legitime a criação de um sistema nacional de rastreamento digital de deslocamentos de cidadãos durante suas viagens, que possibilita ao governo a vigilância em tempo real”, diz a proposta do Novo.

Nas redes sociais, a medida é vista com desconfiança por parte da população, que questiona o armazenamento e o compartilhamento de dados. A FNRH é uma parceria do ministério com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

Governo defende segurança e sustentabilidade

Na semana passada, o Ministério do Turismo informou que 3.773 meios de hospedagem — dos 19.231 que existem no Brasil — já adotaram a iniciativa, que vem sendo implementada gradativamente desde novembro de 2025.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, disse que o check-in digital evita filas desnecessárias, garante “mais conforto e segurança” e elimina o uso de papel, reforçando “ações do governo Lula voltadas à sustentabilidade”.

Segundo a pasta, a FNRH Digital “cumpre rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), assegurando que o tratamento de informações seja feito em ambiente criptografado e controlado”. A Gazeta do Povo questionou o Ministério do Turismo sobre o uso de dados na Ficha Digital, mas até a publicação deste conteúdo não obteve retorno.

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