Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que 93,6% dos peixes comercializados em feiras e mercados do litoral paranaense apresentam microplásticos no trato digestivo. O estudo, conduzido pelo Rebimar (Rede de Estudos de Biodiversidade Marinha), coletou amostras em pontos de venda da região. Apesar do alto índice, a pesquisadora Fernanda Possatto, responsável pelo trabalho, tranquiliza: não há risco alimentar imediato.

Pesquisadora descarta risco alimentar

Fernanda Possatto explicou que a presença de microplástico no trato digestivo não significa que os peixes não possam ser consumidos. “Não se está falando de saúde alimentar ainda”, afirmou. Ela destacou que, atualmente, as pessoas não ingerem o trato digestivo dos peixes, mas sim o músculo. “Não se come o estômago, come-se o músculo”, completou. A pesquisadora, no entanto, defende a necessidade de novos estudos para identificar o efeito do microplástico nos peixes.

Dúvidas sobre absorção de toxinas

Possatto indaga quanto dos componentes tóxicos do microplástico presente no estômago pode ser absorvido pelos tecidos musculares das espécies. Ela cita que outros estudos apontaram que os fragmentos podem liberar substâncias tóxicas, resultando em alteração da fecundidade dos animais e surgimento de tumores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o mundo enfrenta problemas relacionados à presença de microplástico e defende mais pesquisas sobre o efeito dos fragmentos na saúde humana.

O que são microplásticos?

Os microplásticos são fragmentos de plástico que, sob efeito do tempo e da irradiação solar, se quebram em micropartículas e acabam ficando na água, no solo e no ar, chegando à cadeia alimentar. Essas partículas podem surgir de lixo no mar, como embalagens e garrafas, pneus, tecidos e revestimentos com tinta. Uma pesquisa brasileira chegou a encontrar microplásticos em placentas e cordões umbilicais.

Contaminação também atinge aves

Os estudos do Rebimar identificaram a presença de microplástico também em aves que têm contato com o mar, como gaivotas e corujas-buraqueiras. Em 69% das aves analisadas, foram notados fragmentos. A pesquisadora Fernanda Possatto contextualiza que o microplástico é encontrado tanto em áreas com bastante presença humana, como nos arredores do Porto de Paranaguá, como em áreas preservadas ambientalmente. Para ela, é um indicativo de que fronteira geográfica não existe para a questão do plástico.

Ambientes diversos contaminados

Perto dali, há ambientes como a Ilha da Cotinga, uma terra indígena; áreas contínuas de manguezais; e o Porto de Paranaguá. A presença de microplástico em todos esses locais reforça a abrangência do problema. A pesquisadora defende a continuidade das investigações para entender melhor os impactos ambientais e potenciais riscos à saúde.

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