A Polícia Federal (PF) considera as propostas de colaboração premiada do banqueiro Vorcaro inconsistentes e decidiu aprofundar as investigações de forma independente. A quinta fase da operação foi deflagrada nesta quinta-feira (7), com busca e apreensão na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP. Os investigadores avaliam que o material já obtido nas fases anteriores é farto e que novos avanços podem surgir sem depender da delação.

Delação considerada fraca

Na última terça-feira (5), a defesa de Vorcaro entregou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma segunda proposta de colaboração premiada, incluindo anexos. A primeira proposta havia sido apresentada duas semanas atrás e foi considerada inconsistente. Segundo investigadores, a defesa teria apenas analisado o que foi periciado em dois aparelhos de Vorcaro e “requentado” o material com mais detalhes. Os benefícios penais oferecidos a Vorcaro só serão efetivados se o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar que a colaboração foi eficaz.

Vorcaro pode voltar à Papuda

Já se cogita mandar Vorcaro de volta para o Presídio da Papuda, em Brasília, onde ficou preso inicialmente, em março. Atualmente, ele está numa cela especial na Superintendência da PF, após indicar interesse na delação. A volta ao presídio pode ocorrer caso a colaboração não avance.

Quinta fase da operação

A quinta fase da operação foi baseada em elementos colhidos anteriormente. Na quinta-feira (7), agentes fizeram busca e apreensão na casa do senador Ciro Nogueira. A análise de documentos e dados ainda propiciará novos avanços, inclusive sobre autoridades que teriam sido corrompidas por Vorcaro. Uma vantagem do caso é que a PF já colheu uma quantidade razoável de provas sem necessidade de sua colaboração.

Críticas de Gilmar Mendes

Em março, o ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou a decisão do ministro André Mendonça que decretou a prisão preventiva de Vorcaro. Gilmar Mendes criticou o fundamento de que a prisão seria necessária para “pacificação social” e para criar “sentimento na sociedade de resposta célere do sistema de justiça”. Na ocasião, ele votou pela manutenção da prisão preventiva, baseando-se no risco de ocultação de recursos e violência contra desafetos. Ainda em março, Gilmar Mendes criticou o vazamento de mensagens íntimas entre Vorcaro e a ex-noiva. Ele afirmou que o material saiu da CPI do INSS, que obteve dados do celular do banqueiro. O material chegou à comissão por decisão de André Mendonça. Antes, por determinação do antigo relator, Dias Toffoli, os arquivos estavam trancados na presidência do Senado.

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