O número de pessoas em situação de rua registradas no Cadastro Único (CadÚnico) quase dobrou durante o governo Lula, passando de 262,5 mil em dezembro de 2023 para 392,4 mil em junho de 2026. O levantamento foi realizado pelo jornal Gazeta do Povo e aponta um acréscimo de aproximadamente 130 mil registros desde o lançamento do Plano Nacional Ruas Visíveis, em dezembro de 2023. Os dados, no entanto, exigem cautela, pois o CadÚnico não corresponde a um censo nacional da população em situação de rua.
Aceleração dos cadastros desde 2022
A aceleração dos cadastros começou ainda em 2022, no período de recuperação da pandemia de covid-19, mas permaneceu elevada durante os primeiros anos do atual governo e voltou a ganhar intensidade no primeiro semestre de 2026. O aumento pode refletir tanto uma ampliação efetiva desse contingente quanto avanços na capacidade de cadastramento e atualização das informações pelos municípios. A comparação utiliza a mesma base de dados ao longo de todo o período analisado, permitindo observar a evolução dos registros.
Medidas do governo federal
Em julho de 2025, o governo federal incluiu, por meio de portaria, famílias com pessoas em situação de rua entre os grupos prioritários para ingresso no Bolsa Família. A medida foi apresentada como forma de ampliar a proteção social destinada a essa parcela da população. O tema foi debatido em audiência pública convocada pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) no início de junho.
Plano Nacional Ruas Visíveis
Em dezembro de 2023, o governo lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial anunciado de R$ 982 milhões. A iniciativa foi apresentada como resposta ao aumento da população em situação de rua. Na época, o CadÚnico registrava 262,5 mil pessoas nessa condição; em junho de 2026, o número alcançou 392,4 mil, acréscimo de aproximadamente 130 mil registros desde o lançamento do programa.
Interpretações divergentes sobre os dados
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) sustenta que parte desse crescimento decorre do aprimoramento do cadastramento. Em 2025, a pasta informou à Agência Brasil que retomou, em 2023, a capacitação de entrevistadores e operadores do CadÚnico, fortalecendo o trabalho dos municípios. O ministério também atribuiu parte da elevação dos números a uma suposta subnotificação entre 2019 e 2022.
Ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, o deputado Osmar Terra (PL-RS) contesta essa interpretação. Osmar Terra disse que não existe subnotificação no governo anterior e que quem faz o levantamento são os municípios. O deputado ressaltou que o número não é inventado pelo governo federal, mas vem direto dos municípios.
Fatores apontados pelo MDS
O MDS do governo Lula atribuiu o crescimento da população em situação de rua à fragilização de vínculos familiares, como casos de violência e abuso, além de desemprego, crises econômicas e eventos climáticos extremos. A pasta acrescentou que o Cadastro Único também ficou mais eficiente. A fonte não detalhou o peso de cada fator na variação dos números.
