O Paraguai registrou um aumento expressivo na concessão de residências a estrangeiros no primeiro semestre de 2026, com os brasileiros à frente da lista. Segundo a Direção Nacional de Migrações, foram 22.628 autorizações para cidadãos do Brasil no período. O movimento reflete a busca por um “plano B” diante de incertezas econômicas e jurídicas no país de origem.

Entre janeiro e junho, o Paraguai recebeu 33.243 solicitações de residência de estrangeiros, um crescimento de 62% em relação ao mesmo período de 2025. As autorizações concedidas somaram 29.765, alta de 81% na comparação anual. Os dados foram divulgados pela Direção Nacional de Migrações e não detalham os motivos individuais dos solicitantes.

Especialistas ouvidos pela imprensa local apontam que a estabilidade tributária e a agilidade nos trâmites migratórios estão entre os fatores que atraem estrangeiros. No entanto, a fonte não detalhou o perfil socioeconômico dos requerentes. A tendência de crescimento já havia sido observada em anos anteriores, mas o ritmo atual supera as médias históricas.

Brasileiros dominam pedidos de residência paraguaia

Os brasileiros lideraram o levantamento com folga. Foram 22.628 residências concedidas a cidadãos do Brasil no primeiro semestre de 2026, o equivalente a cerca de 76% do total de autorizações. Em segundo lugar aparecem os argentinos, seguidos por alemães, espanhóis e norte-americanos, embora os números exatos dessas nacionalidades não tenham sido divulgados.

A presença brasileira no Paraguai não é novidade, mas o volume atual chama atenção. Historicamente, a fronteira seca e os laços comerciais facilitam a migração. Agora, porém, o perfil dos solicitantes parece incluir profissionais liberais, empreendedores e aposentados em busca de segurança jurídica e menor carga tributária.

O crescimento de 62% nas solicitações totais sugere que o Paraguai se consolida como destino estratégico na região. Ainda assim, a fonte não detalhou quantos desses pedidos partiram de brasileiros especificamente. O que se sabe é que as concessões a brasileiros cresceram em ritmo superior à média geral, reforçando a liderança.

Incertezas econômicas impulsionam plano B

A busca por residência fiscal no exterior costuma estar associada a cenários de instabilidade doméstica. No caso brasileiro, anos de debates sobre reformas tributárias e mudanças em regras de investimentos geraram um ambiente de cautela entre contribuintes de alta renda. A residência paraguaia, com impostos mais baixos e burocracia simplificada, aparece como alternativa viável.

Não há, contudo, dados oficiais que liguem diretamente a alta nas solicitações a mudanças legislativas específicas no Brasil. A Direção Nacional de Migrações do Paraguai apenas contabiliza os pedidos e as autorizações. Analistas independentes, porém, veem correlação entre o noticiário econômico brasileiro e o interesse pelo país vizinho.

O Paraguai oferece regimes de residência permanente com requisitos relativamente acessíveis, como comprovação de meios de subsistência e antecedentes criminais limpos. Para muitos, o processo leva menos de um ano. Essa celeridade contrasta com a complexidade de outros destinos tradicionais, como Portugal ou Estados Unidos.

Autorizações crescem 81% no semestre

O número de autorizações concedidas no Paraguai chegou a 29.765 entre janeiro e junho, alta de 81% em relação ao mesmo período de 2025. Esse ritmo supera o crescimento das solicitações, que foi de 62%. Isso indica maior eficiência do órgão migratório ou um perfil de requerentes com documentação mais completa.

A diferença entre pedidos e concessões também reflete a celeridade do sistema paraguaio. Enquanto muitos países acumulam filas de anos, o Paraguai consegue processar a maioria dos casos em meses. A fonte não detalhou o tempo médio de tramitação, mas o volume de autorizações sugere um fluxo contínuo.

Para os brasileiros, a proximidade geográfica é um fator adicional. A facilidade de ir e vir permite manter negócios e laços familiares no Brasil enquanto se estabelece a residência fiscal no exterior. Esse arranjo é legal desde que cumpridas as regras de saída definitiva do país, conforme legislação brasileira.

O que explica a liderança brasileira

Além da proximidade, o Paraguai tem um sistema tributário simples: imposto de renda de 10% sobre lucros e dividendos, sem imposto sobre herança ou doações. Para quem busca planejamento patrimonial, essas características são atrativas. A fonte não detalhou, porém, se os brasileiros que solicitaram residência declararam motivação fiscal.

Outro ponto é o custo de vida. Assunção e cidades como Ciudad del Este têm despesas menores que grandes capitais brasileiras. Serviços de saúde e educação privados também são mais acessíveis. Esses fatores, somados à estabilidade do guarani frente ao real, tornam o país uma opção concreta para quem deseja reduzir riscos.

No entanto, especialistas alertam que a residência fiscal no exterior exige planejamento cuidadoso. É preciso formalizar a saída definitiva junto à Receita Federal, comunicar a mudança de domicílio fiscal e cumprir obrigações acessórias. A ausência desses cuidados pode gerar dupla tributação ou problemas com o fisco brasileiro.

Impactos para o Paraguai e para o Brasil

O fluxo migratório qualificado pode trazer benefícios econômicos ao Paraguai, como aumento do consumo, investimentos imobiliários e geração de empregos. O governo paraguaio tem incentivado a vinda de estrangeiros com vistos especiais para investidores e aposentados. A fonte não detalhou se há políticas específicas para brasileiros.

Para o Brasil, a saída de contribuintes de alta renda representa perda de arrecadação potencial. Estudos sobre migração fiscal indicam que cada indivíduo que transfere residência deixa de pagar impostos sobre renda e patrimônio no país de origem. Contudo, não há dados oficiais que quantifiquem esse impacto no caso paraguaio.

O tema deve ganhar atenção nos próximos meses, especialmente se a tendência de alta se mantiver. A Direção Nacional de Migrações do Paraguai divulga balanços semestrais, e o próximo relatório poderá confirmar se o ritmo acelerado persiste. Até lá, os números atuais já colocam o país como principal destino de brasileiros na América do Sul.

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