A governadora do Distrito Federal, Celina, rebateu o ministro Dario Durigan e afirmou que a crise do BRB não deve ser tratada de forma política. A declaração ocorre em meio à falta de avanço nas tratativas sobre o acordo firmado com a União no Supremo Tribunal Federal (STF). Para a chefe do Executivo local, a discussão precisa ser conduzida com critérios técnicos, enquanto o governo federal faz avaliações políticas sobre o caso.

Em sua defesa, Celina disse que o Distrito Federal já cumpriu as obrigações previstas no acordo. A governadora cobrou rapidez para a conclusão das negociações e argumentou que o mercado financeiro exige previsibilidade.

“O prazo é algo importante para nós, no mercado financeiro. Não pode ser quando as pessoas quiserem, na forma que quiserem”

A fonte não detalhou, no entanto, quais obrigações teriam sido cumpridas nem apresentou um cronograma para a contrapartida da União.

Governadora defende debate técnico

A posição da governadora é de que a análise do caso deve ficar restrita a aspectos técnicos, sem interferência política. Para ela, o governo federal estaria politizando a discussão, o que atrasaria a solução. Celina reforçou que o DF cumpriu sua parte no acordo e espera uma definição rápida por parte da União. O tom da fala indica pressão para destravar o processo.

A cobrança por previsibilidade

Celina argumentou que o mercado financeiro exige segurança. Sem um cronograma claro, afirmou, a indefinição prejudica o planejamento e a confiança dos investidores.

Ministro nega inércia da União

Dario Durigan rejeitou a acusação de que a União estaria atrasando o acordo. O ministro afirmou que a responsabilidade pelas pendências seria do próprio governo do Distrito Federal. Em sua avaliação, a acusação de inércia gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo.

A origem do problema

Durigan ressaltou que a crise do BRB teve origem em operações realizadas pelo banco com o Banco Master, e não em ações da União. O ministro declarou que não há nenhuma inércia e que há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, sendo todo do DF.

Para ele, a administração federal está contribuindo para uma solução que envolve principalmente o Distrito Federal. O ministro procurou reforçar que a União não é a parte responsável pela origem do problema. O ministro não apresentou, contudo, um calendário para a conclusão das negociações.

Acordo segue sem definição

Em documento enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal afirmou que, apesar do acordo homologado em maio, ainda não houve definição sobre a operação financeira. O governo local informou que, decorridos mais de dois meses da celebração do acordo, não há concessão, recusa, proposta, indicação de condições, cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise. O texto foi encaminhado para demonstrar a falta de avanço concreto nas tratativas.

Consequências da demora

A demora na definição é vista como um entrave para a capitalização do BRB. O empréstimo é considerado essencial para recompor o patrimônio do banco após operações envolvendo o Banco Master, que deixaram impactos financeiros na instituição. Sem a operação, a instituição permanece em situação de incerteza quanto à sua saúde financeira. A indefinição também dificulta o planejamento do banco para os próximos meses.

Crise começou com Banco Master

A crise do BRB teve início após negociações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que movimentaram cerca de R$ 30 bilhões, segundo informações divulgadas pelo próprio banco. O montante expressivo elevou o risco da instituição e chamou a atenção de órgãos de controle.

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero para investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas às operações. Em abril deste ano, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso durante uma nova fase da investigação.

Perdas estimadas

Segundo a PF, parte dos créditos adquiridos pelo BRB junto ao Master apresentava problemas de lastro ou dificuldade de recuperação. A instituição estima que cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos possam representar perdas. O banco não divulga seus balanços desde novembro de 2025, em razão das consequências das transações realizadas com o Master. A ausência de informações contábeis aprofunda a desconfiança em relação à real situação financeira do BRB.

Empréstimo para recompor patrimônio

O governo do DF afirma que conseguiria recuperar aproximadamente R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas e busca o empréstimo de R$ 6,6 bilhões para completar o processo de capitalização. A operação é considerada central para devolver ao banco condições de operar normalmente. Enquanto as tratativas não avançam, a instituição segue sem uma solução definitiva.

Impasse expõe divergência

A divergência entre o governo do Distrito Federal e a União expõe um impasse que vai além da técnica. Ainda que ambos os lados afirmem interesse em resolver a questão, não há previsão para a conclusão das negociações. O mercado, por sua vez, acompanha a expectativa de um desfecho que garanta a estabilidade do BRB.

A crise do BRB, portanto, segue sem uma solução à vista, com os dois lados atribuindo um ao outro a responsabilidade pelo atraso nas tratativas.

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