A desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) cresceu 10 pontos porcentuais no último mês e atingiu 56% do eleitorado brasileiro. O dado consta em levantamento da Quaest divulgado nesta segunda-feira, 14. A pesquisa, contratada pela Globo, entrevistou 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 13 de setembro em todo o país. O estudo possui margem de erro de 2 pontos porcentuais e índice de confiança de 95%.

O levantamento mostrou que 9% dos entrevistados dizem “confiar muito” na Corte. Outros 30% responderam “confiar pouco” no tribunal. Em agosto, o índice dos que afirmavam não confiar no Supremo era de 46%. Naquela ocasião, 18% declaravam confiar muito e 33% confiavam pouco. A variação ocorre em meio ao acirramento da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Contexto da crise entre ministros

O pano de fundo do embate é a condução das investigações sobre o Banco Master. Segundo a pesquisa, 37% dos eleitores consideram que Mendonça age de forma correta no caso. Já 16% disseram que Moraes atua corretamente no processo. A crise institucional provocou desdobramentos diretos na pauta do tribunal.

O STF marcou sessão para decidir sobre a abertura de investigação contra Moraes para esta terça-feira, 15. A medida ocorreu depois de a Polícia Federal (PF) revelar diálogos do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça tornou público o relatório policial sobre o caso do Banco Master. Esses eventos recentes intensificaram o escrutínio público sobre a Corte.

Desconfiança cresce em todos os grupos

A desconfiança no STF subiu em quase todos os grupos do eleitorado, com particularidades políticas. Entre os entrevistados identificados como “lulistas”, 30% afirmam não confiar na Corte. O número era de 27% no mês de agosto. A principal mudança nesse grupo foi a queda no índice dos que dizem “confiar muito”. O porcentual caiu de 41% para 23% em um mês.

No segmento dos eleitores de oposição, a desconfiança no tribunal permanece em patamar elevado. Neste mês, desse grupo, 69% afirmaram “não confiar” no STF, ante 73% em agosto. A taxa chegou a atingir 83% no mês de março. Entre os eleitores considerados “independentes”, 65% dizem não confiar na Corte. Em agosto, esse índice era de 50%.

Detalhes metodológicos da pesquisa

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026. Os entrevistadores ouviram os eleitores de 10 a 13 de setembro em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, o que confere precisão estatística aos resultados. O índice de confiança de 95% indica alta probabilidade de os números refletirem a opinião do eleitorado.

Os dados revelam um cenário de crescente ceticismo em relação ao STF. A queda na confiança entre os lulistas, tradicionalmente mais favoráveis à Corte, é um indicativo relevante. A manutenção de altos índices entre opositores e independentes reforça a tendência de desgaste institucional. A fonte não detalhou as razões específicas para as variações em cada grupo.

Implicações para o tribunal

O aumento da desconfiança pode influenciar a percepção pública sobre as decisões do STF. A sessão marcada para esta terça-feira, 15, sobre a abertura de investigação contra Moraes será um teste para a imagem da Corte. A divulgação do relatório policial por Mendonça adicionou um elemento de transparência, mas também de controvérsia. A fonte não detalhou os possíveis desdobramentos jurídicos.

Os números da Quaest sugerem que a crise entre os ministros tem impacto direto na confiança institucional. A pesquisa não mediu a avaliação de outros poderes, mas o foco no STF reflete a relevância do tema no debate público. A expectativa é que novos levantamentos acompanhem a evolução desse indicador nos próximos meses.

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