Um monitoramento realizado pelo Instituto Democracia em Xeque indicou que o perfil “Dilma Bolada” foi o ponto de partida de uma narrativa falsa envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. A publicação, divulgada em redes sociais, associava o político a um projeto que pretendia retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. O caso ganhou repercussão e levou a campanha de Flávio a registrar uma notícia-crime.

Segundo o levantamento, a primeira postagem afirmava: “Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil”. Seis minutos depois, outra conta publicou que grupos evangélicos pressionariam Flávio para que, caso eleito, retirasse o título da santa.

A narrativa recuperou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto, entretanto, foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e definitivamente arquivado em agosto de 2008.

Naquele período, Flávio sequer exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro e não participou da apresentação nem da tramitação da proposta no Congresso. Apesar disso, a associação do projeto ao candidato do PL ganhou escala nas redes. Conforme mostrou Oeste, o levantamento do Instituto Democracia em Xeque contabilizou quase 1 milhão de postagens e 8,5 milhões de interações em pouco mais de dois dias.

Origem da narrativa e rápida disseminação

A primeira publicação atribuída ao perfil Dilma Bolada trazia uma mensagem direcionada ao eleitorado católico. Em seguida, outra conta reforçou a ideia de que haveria pressão de grupos evangélicos sobre Flávio. A sequência de postagens criou um ambiente propício para a viralização do conteúdo.

O monitoramento apontou que a narrativa não se limitou a perfis anônimos. A denúncia apresentada pela defesa de Flávio não se restringiu aos perfis que iniciaram a circulação do conteúdo. O documento apontou que a narrativa posteriormente chegou a políticos de esquerda e integrantes da base governista.

Entre os nomes citados estão o ex-deputado Jean Wyllys, candidatos e parlamentares do PT, PV e PSOL, além do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara. A menção a figuras públicas ampliou o alcance das publicações e gerou maior engajamento.

A própria notícia-crime registrou a escalada de audiência de algumas publicações. Uma delas ultrapassou 2 milhões de visualizações em menos de 24 horas. Outra chegou a 2,4 milhões de visualizações, 73 mil curtidas e 16 mil compartilhamentos.

Contexto do projeto de 2007

O projeto de lei mencionado nas postagens foi apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta sugeria alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida, restringindo o título de Padroeira do Brasil aos católicos apostólicos romanos. A ideia gerou debate na época, mas não avançou.

O texto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e arquivado definitivamente em agosto de 2008. Flávio Bolsonaro não tinha qualquer ligação com a proposta, pois naquele período não exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. A associação do projeto ao candidato do PL foi considerada inverídica pela campanha.

Apesar da falta de conexão factual, a narrativa ganhou força nas redes sociais. O levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostrou que o volume de postagens e interações cresceu rapidamente, indicando uma coordenação ou efeito cascata entre os usuários.

Medidas jurídicas solicitadas

A campanha de Flávio Bolsonaro registrou uma notícia-crime com base no artigo 323 do Código Eleitoral. O dispositivo pune a divulgação, durante a campanha, de fatos que o autor sabe serem inverídicos sobre candidatos ou partidos e capazes de influenciar o eleitorado. A defesa argumentou que as publicações se enquadram nessa conduta.

No documento, foram solicitadas diversas providências às autoridades. Entre elas, a instauração de inquérito criminal para apurar a disseminação das publicações. Também foi pedida a produção das provas consideradas necessárias para a investigação.

Além disso, a notícia-crime requereu o fornecimento, pelo X e pelo Instagram, dos dados cadastrais de 29 contas relacionadas no documento. A defesa pediu a identificação dos responsáveis pelos perfis, incluindo telefones, e-mails e outros dados disponíveis.

Outro pedido foi o fornecimento dos endereços de IP utilizados pelas contas nos dois meses anteriores. A incorporação das informações obtidas ao procedimento investigativo também foi solicitada, assim como a preservação do material reunido como prova para a apuração da autoria e da forma de disseminação do conteúdo.

Repercussão e próximos passos

O caso evidencia o impacto de narrativas falsas em períodos eleitorais. A velocidade de propagação e o envolvimento de perfis com grande audiência chamaram a atenção dos responsáveis pela campanha. A notícia-crime busca responsabilizar os autores e conter a desinformação.

Até o momento, não há informações sobre decisões judiciais relacionadas ao pedido. A fonte não detalhou se as plataformas já forneceram os dados solicitados. O monitoramento continua acompanhando a circulação do conteúdo nas redes.

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