Uma delação premiada obtida pelo UOL traz acusações graves envolvendo o senador Jaques Wagner. O ex-banqueiro e delator afirma que um grupo ligado ao político recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em propina. Os repasses estariam relacionados à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, adquirida em leilão de privatização.
Segundo o relato, Wagner teria participação oculta no negócio. Os valores incluiriam distribuição de lucros, dividendos e contratos fictícios. As defesas de Wagner e de outros citados negam as acusações e apontam falta de provas.
Leilão da Credcesta e empresa de fachada
A estatal Credcesta foi arrematada pela NGV Empreendimentos por R$ 15 milhões. De acordo com o delator, Augusto Lima era o dono de fato da empresa. Formalmente, porém, ela estava em nome do investidor espanhol Ignácio Morales, descrito no documento como “interposta pessoa”.
Dezesseis dias depois do leilão, dois decretos assinados por Rui Costa ampliaram as possibilidades de exploração do Credcesta. Eles também alteraram seu enquadramento no regime de consignações. Posteriormente, a NGV transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One Participações.
Essa transferência é central na narrativa do delator. Ele alega que a PKL foi estruturada para acomodar políticos e operadores. A fonte não detalhou o valor exato da transferência, mas indicou que ela viabilizou o esquema de repasses.
Estrutura societária e beneficiários ocultos
A participação na PKL era organizada por uma cadeia de fundos de investimento. Conforme a proposta de delação, os beneficiários finais incluíam Augusto Lima, Guiga, representando Jaques Wagner, e representantes de outros políticos. Essa estrutura teria o objetivo de ocultar os verdadeiros donos.
Os documentos confirmam a presença de Sodré na estrutura societária. Contudo, não demonstram que ele mantivesse a participação em nome de Wagner. Essa lacuna é um dos pontos contestados pelas defesas. A fonte não detalhou quem seriam os “outros políticos” mencionados.
Parceria com o Banco Master e revelação
Na parceria firmada em 2018, o Banco Master pagou R$ 30 milhões à PKL. O acordo também previa a divisão de metade dos lucros. Segundo o delator, foi durante essa negociação que Augusto Lima revelou o suposto esquema.
“Augusto Lima informou ao colaborador que precisou corromper os políticos baianos para adquirir a operação do Credcesta, razão pela qual cedeu a políticos participação societária na PKL”, afirma o documento. A frase é uma das principais evidências apresentadas na delação. Ela sugere que a corrupção foi condição para a aquisição.
Entrega de valores em espécie
A entrega dos valores era feita ao motorista de Vorcaro. De acordo com o documento, o motorista “não sabia do que se tratava, mas que repassava os pacotes ao colaborador ou a Augusto Lima”. Os pacotes conteriam dinheiro em espécie, totalizando cerca de R$ 3 milhões mensais.
O uso de dinheiro vivo é comum em esquemas de propina, segundo investigações anteriores. A fonte não detalhou a frequência exata das entregas, mas indicou que ocorriam mensalmente. A defesa de Vorcaro repudiou a divulgação dos anexos e afirmou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.
Contratos fictícios e pessoas indicadas
A proposta também cita contratos que, segundo Vorcaro, teriam beneficiado pessoas indicadas por Wagner. Entre eles estaria um acordo entre uma filha do senador e uma empresa no exterior ligada a João Carlos Falbo Mansur, dono da Reag. O delator não especificou o valor desse contrato.
Esses contratos fictícios seriam uma forma de disfarçar o pagamento de propina. A fonte não detalhou se há provas documentais desses acordos. As defesas afirmam que a delação não apresentou provas suficientes para sustentar as acusações.
Defesas refutam acusações
As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima refutaram as acusações obtidas pelo UOL. Elas afirmaram que a delação não apresentou provas suficientes. A defesa de Vorcaro repudiou a divulgação dos anexos e afirmou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material.
O caso segue sem decisão judicial sobre a validade da delação. A fonte não detalhou se há investigação formal em curso. O conteúdo da delação foi divulgado originalmente pelo site Paulo Figueiredo, conforme indicado no material.
