O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está preparando a inclusão de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). O estudo começou em 2019 e teve uma primeira estimativa experimental em 2021. A incorporação faz parte da revisão estrutural das Contas Nacionais, realizada periodicamente pelo instituto.

A medida busca alinhar as estatísticas brasileiras a padrões internacionais que consideram atividades econômicas independentemente de sua legalidade. Com isso, o PIB passaria a refletir de forma mais abrangente a produção e o consumo dentro do território nacional. A fonte não detalhou o cronograma exato de implementação, mas indicou que a revisão é um processo contínuo.

Estimativas indiretas para medir mercado ilegal

Como não existem registros completos da produção e da venda de drogas, o cálculo deverá recorrer principalmente a estimativas indiretas. A metodologia em desenvolvimento considera informações sobre o número de usuários, o consumo médio e os preços praticados. Esses três elementos formam a base para dimensionar o valor total movimentado pelo mercado ilícito.

De forma simplificada, esses dados permitem estimar o valor gasto pelos consumidores. A partir desse resultado, o IBGE precisa separar a parcela correspondente à produção nacional daquela relacionada a drogas introduzidas no país por meio de comércio ilegal. Essa distinção é essencial para evitar dupla contagem e para atribuir corretamente o valor adicionado à economia brasileira.

Também entram na conta os custos associados à produção e à distribuição. O objetivo final é chegar ao Valor Adicionado Bruto (VAB), indicador que representa o quanto uma atividade acrescenta à economia depois de descontados os bens e serviços utilizados em sua produção. O VAB das drogas ilícitas será então incorporado ao cálculo do PIB pela ótica da produção.

Fontes de dados e combinação de informações

A estimativa poderá combinar diferentes fontes de informação, como pesquisas de consumo, preços, dados administrativos, apreensões e informações sobre fluxos comerciais. Essa abordagem multifonte visa aumentar a robustez dos números, ainda que reconheça as limitações inerentes a um mercado clandestino. O IBGE não detalhou quais pesquisas específicas serão utilizadas nem a periodicidade de atualização dos dados.

Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que a combinação de fontes é comum em contas nacionais para setores de difícil mensuração. No caso das drogas, as apreensões policiais podem servir como proxy da oferta, enquanto pesquisas domiciliares e escolares ajudam a estimar a demanda. A fonte não detalhou os pesos relativos de cada fonte no modelo final.

PIB como retrato da atividade econômica real

A lógica é que o PIB procure representar a atividade econômica efetivamente realizada dentro de uma economia, e não apenas aquilo que é formal ou permitido pela legislação. Essa visão segue recomendações do manual internacional de contas nacionais, que orienta a inclusão de atividades ilegais quando há dados suficientes. No Brasil, a inclusão das drogas ilícitas representaria um avanço metodológico significativo.

Ao incorporar essas atividades, o PIB tende a aumentar, pois passa a contabilizar valores que antes ficavam fora das estatísticas oficiais. No entanto, o instituto ressalta que o objetivo não é fazer juízo de valor sobre o mercado de drogas, mas sim medir sua contribuição econômica. A fonte não detalhou o impacto esperado no PIB total.

Revisão de séries históricas e comparabilidade

Para permitir comparações, a revisão deverá considerar a reconstrução das séries históricas segundo os novos critérios. Assim, uma eventual alta do PIB em 2028 precisará ser distinguida entre crescimento efetivo da atividade econômica e efeitos provocados pela mudança metodológica. Essa distinção é crucial para analistas e formuladores de políticas públicas.

O IBGE deverá divulgar notas metodológicas explicando as alterações e seus impactos sobre as séries passadas. A fonte não detalhou como será feita a comunicação dessas mudanças ao público. A reconstrução histórica permitirá avaliar a evolução do mercado de drogas ao longo do tempo e sua participação relativa na economia.

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