O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é apontado em reportagem da revista Veja como tendo relação próxima com o ex-banqueiro, conforme mensagens de celular obtidas pela publicação. As conversas, de teor pessoal, incluiriam expressões afetuosas e convites para eventos privados. Alcolumbre nega qualquer ilegalidade e afirma que tomará medidas judiciais contra o que classifica como tentativa de intimidação.
Mensagens afetuosas e convites privados
Segundo a reportagem, após Alcolumbre ser eleito presidente do Senado, o ex-banqueiro o parabenizou e o senador teria respondido: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão! Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”. O ex-banqueiro teria enviado cinco emojis de coração e dito: “E eu seu [irmão]. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
A publicação detalha ainda que a suposta relação incluía a organização de festas privadas com bebidas e a contratação de mulheres trazidas da Europa. Em um dos eventos citados, o ex-banqueiro teria dado instruções de traje e horários diretamente a Alcolumbre para garantir a privacidade dos participantes. A fonte não detalhou a data ou local desses encontros.
O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria seria o responsável por intermediar o contato entre o senador e o ex-banqueiro em grupos de mensagens. A reportagem não esclarece se Faria participava ativamente das conversas ou apenas facilitava a comunicação. Procurado, Faria afirmou que as conversas sobre reservas de suítes em hotel tratavam-se de viagens corporativas entre empresários para avaliar investimento em um clube de futebol inglês e não tinham qualquer relação com Alcolumbre.
Resistência à CPI do Master
O presidente do Senado ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para investigar o Master. Diante da resistência, parlamentares da oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar abrir a comissão. A CPI teria como objetivo apurar possíveis irregularidades envolvendo o banco Master e suas relações com agentes públicos.
As investigações também apontaram ramificações do caso Master, envolvendo a Amapá Previdência (Amprev), que tinha como conselheiro o irmão de Alcolumbre e era presidida pelo ex-tesoureiro de sua campanha. A Amprev investiu R$ 400 milhões no Master e foi alvo de operações da Polícia Federal em fevereiro e março deste ano. O caso apura influência política e a pressa em aprovar aportes de alto risco que comprometeram o fundo dos servidores.
Reação de Alcolumbre
Em nota enviada à Gazeta do Povo, o senador negou as informações, afirmou que as mensagens são de teor pessoal e “não indicam ilegalidade alguma” e prometeu adotar medidas judiciais. Alcolumbre afirmou que é alvo de uma tentativa de intimidação e prometeu que “irá até às últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida”.
“O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública”, afirmou. O senador reforçou que aciona a Justiça para identificar e responsabilizar “aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo”.
Alcolumbre também criticou a revista Veja, acusando a publicação de fazer o que classificou como “sensacionalismo barato”. “Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições. No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente”, ressaltou.
Nota da Veja e desdobramentos
Em nota, a revista Veja afirmou que “A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma. No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente. Medidas judiciais serão tomadas, não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade.”
Fábio Faria, por sua vez, negou envolvimento de Alcolumbre nas viagens mencionadas. “O assunto não tem relação alguma com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que em nenhum momento foi cogitado para essa viagem. A única vez que o empresário encontrou Davi Alcolumbre fora do Brasil foi em outubro de 2023, durante um evento empresarial em Paris”, afirmou.
O caso segue em apuração e pode ter desdobramentos judiciais. A fonte não detalhou se as mensagens foram obtidas por meio legal ou se há investigação formal em curso.
