O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que sua presença em um evento em Londres, bancado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocorreu a convite do colega de toga Alexandre de Moraes. A declaração foi dada à Revista Piauí, que publicou nesta quinta-feira (10) uma reportagem sobre a proximidade entre Toffoli e Vorcaro. Segundo o ministro, a viagem não partiu de iniciativa própria, mas de um convite formal feito por Moraes.

Foi nessa viagem que ocorreu um jantar em homenagem a Alexandre de Moraes, marcado pela famigerada degustação de uísque Macallan. O evento, realizado em 25 de abril de 2024, aconteceu no clube privado Annabel’s, em Londres, e teria custado cerca de 400 mil libras, o equivalente a aproximadamente R$ 2,7 milhões. Durante a noite, os convidados participaram de uma degustação do renomado uísque escocês.

Após o jantar, foi organizado um “after party” para um grupo restrito de convidados. Conforme relatos citados em reportagens, alguns participantes receberam broches que davam acesso a encontros íntimos. A natureza exata desses encontros não foi detalhada pela fonte, mas a menção aos broches gerou questionamentos sobre o caráter da reunião.

Entre os convidados estavam os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o então ministro da Justiça do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Lewandowski, o diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A presença de autoridades de alto escalão em um evento privado de custo elevado levantou debates sobre ética e transparência.

Convite atribuído a Moraes

A afirmação de Toffoli sobre ter sido convidado por Moraes foi feita à Revista Piauí. A publicação, em sua edição desta quinta-feira (10), trouxe detalhes sobre a dimensão da proximidade do ministro com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Toffoli não especificou em que circunstâncias o convite foi feito, mas a declaração transfere a Moraes a responsabilidade pela presença do ministro no evento.

A assessoria do magistrado enviou nota ao veículo dizendo que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o ex-banqueiro. Também negou que tenha recebido dinheiro de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. A nota busca afastar qualquer vínculo pessoal ou financeiro entre Toffoli e o empresário.

A reportagem da Piauí, no entanto, indica que a Polícia Federal elaborou um relatório de 196 páginas sobre os vínculos entre os dois. O documento teria permanecido sob sigilo no STF por aproximadamente sete meses. Segundo a revista, o relatório levanta a hipótese de que Toffoli seja o beneficiário final do fundo Arleen.

O fundo Arleen era uma estrutura financeira sócia do resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento também contava com a Maridt Participações, empresa da família do ministro, da qual ele é sócio com os irmãos. A existência dessa sociedade societária, ainda que indireta, é apontada como um possível elo entre Toffoli e os negócios de Vorcaro.

Jantar milionário e after party

O jantar no Annabel’s, clube privado de alto padrão em Londres, reuniu autoridades brasileiras em um ambiente de luxo. O custo estimado de 400 mil libras incluiu a degustação de uísque Macallan, marca conhecida por garrafas raras e caras. A escolha do local e do cardápio reforça o caráter exclusivo do evento.

Após o jantar, o “after party” foi organizado para um grupo ainda mais restrito. Relatos citados em reportagens mencionam a distribuição de broches que davam acesso a encontros íntimos. A fonte não detalhou o que seriam esses encontros, mas a prática é incomum em eventos oficiais ou diplomáticos.

A presença de ministros do STF, do ministro da Justiça, do diretor-geral da PF e do procurador-geral da República em um evento privado de tal magnitude levanta questões sobre conflito de interesses. Especialistas em ética pública ouvidos pela imprensa destacaram a necessidade de transparência sobre quem pagou a viagem e quais foram os benefícios oferecidos.

Até o momento, não há informações públicas sobre quem arcou com as despesas do jantar ou da viagem. A assessoria de Toffoli negou recebimento de dinheiro de Vorcaro, mas não esclareceu se o ministro pagou suas próprias despesas ou se foi custeado por terceiros. A fonte não detalhou esses aspectos.

Relatório da PF e sigilo

O relatório de 196 páginas da Polícia Federal, mencionado pela Revista Piauí, teria permanecido sob sigilo no STF por cerca de sete meses. O documento investiga os vínculos entre Toffoli e Vorcaro, incluindo transações financeiras e participações societárias. A hipótese de que Toffoli seja beneficiário final do fundo Arleen é um dos pontos centrais do relatório.

O fundo Arleen, segundo a reportagem, era sócio do resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento também contava com a Maridt Participações, empresa da família do ministro. Toffoli é sócio da Maridt com os irmãos, o que poderia configurar um conflito de interesses caso o fundo Arleen tenha beneficiado o resort.

A defesa de Toffoli nega qualquer irregularidade e afirma que o ministro não tem relação de amizade íntima com Vorcaro. No entanto, a existência de um relatório sigiloso e a demora na sua divulgação alimentam especulações sobre a conduta do magistrado. O STF não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

A Revista Piauí não informou se o relatório foi anexado a algum inquérito ou se está sendo analisado por algum órgão de controle. A fonte não detalhou o andamento das investigações.

Repercussão e próximos passos

A revelação de Toffoli sobre o convite de Moraes adiciona um novo elemento à controvérsia. Moraes, que é relator de inquéritos sensíveis no STF, agora aparece como anfitrião ou convidante de um evento bancado por um empresário do setor financeiro. A assessoria de Moraes não se manifestou sobre a afirmação de Toffoli até o fechamento desta matéria.

O caso deve gerar pedidos de esclarecimento por parte de parlamentares e organizações da sociedade civil. A transparência sobre viagens e presentes de autoridades é um tema recorrente no debate público brasileiro. A ausência de informações claras sobre o financiamento do jantar em Londres pode pressionar o STF a se posicionar.

Enquanto isso, a Revista Piauí prometeu continuar investigando os vínculos entre Toffoli e Vorcaro. A publicação já revelou detalhes sobre o relatório da PF e a estrutura societária do resort Tayayá. Novas reportagens podem trazer à tona documentos e depoimentos que esclareçam o caso.

Por ora, as afirmações de Toffoli e as negativas de sua assessoria deixam lacunas sobre o que realmente ocorreu em Londres. A fonte não detalhou se haverá alguma investigação formal sobre o jantar ou sobre o relatório sigiloso.

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