Sete em cada dez brasileiros afirmam que a violência “aumentou muito” no país durante os últimos dois anos, segundo pesquisa nacional da Pax/Quaest divulgada nesta sexta-feira (18). Outros 9% dizem que o problema “aumentou um pouco”. O levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 12 e 15 de setembro, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Somados os dois grupos, 79% dos entrevistados percebem algum crescimento da violência. Outros 15% avaliam que a situação permaneceu igual, enquanto 5% afirmam ter percebido uma diminuição. Apenas 1% não soube responder. Esses números revelam um cenário de forte pessimismo em relação à segurança pública no Brasil.
Percepção feminina é ainda mais acentuada
A percepção de agravamento é maior entre as mulheres. Nesse grupo, 76% dizem que a violência aumentou muito, ante 63% entre os homens. A parcela dos que enxergam alguma redução é de 4% entre as mulheres e de 8% entre os homens. Essa diferença de gênero pode estar relacionada a experiências distintas de exposição à violência, como assédio e violência doméstica, embora a pesquisa não detalhe as causas.
Além disso, a preocupação com a violência como principal problema chega a 35% no Nordeste. O índice é de 29% no Norte, 25% no Sudeste, 23% no Sul e 18% no Centro-Oeste. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, o percentual alcança 38%, indicando que os idosos se sentem particularmente vulneráveis.
Crimes mais numerosos e mais brutais
Entre os entrevistados que perceberam aumento, 73% atribuem o cenário simultaneamente ao crescimento do número de crimes e ao aumento da violência empregada nos delitos. Outros 14% apontam apenas a ocorrência de mais crimes, enquanto 12% avaliam que os delitos ficaram mais violentos. Ou seja, a maioria acredita que não apenas há mais infrações, mas que elas também se tornaram mais agressivas.
Essa percepção dupla pode refletir a cobertura midiática de casos violentos e a experiência cotidiana com crimes como roubos e furtos. A pesquisa, porém, não especifica os tipos de crime mais temidos ou vivenciados pelos entrevistados.
Punição vista como mais branda
A pesquisa mostra ainda que 67% dos brasileiros consideram que a punição aplicada aos criminosos diminuiu nos últimos anos. Para 22%, a punição aumentou. Outros 11% não souberam ou preferiram não responder. Esse dado sugere uma descrença na efetividade do sistema de justiça criminal, o que pode alimentar a sensação de impunidade e, consequentemente, o medo da violência.
A percepção de punição mais branda pode estar ligada a mudanças legislativas, à superlotação carcerária ou à morosidade processual, mas a fonte não detalhou os motivos dessa avaliação.
Violência lidera preocupações nacionais
A violência também aparece como o principal problema enfrentado pelo Brasil, citada espontaneamente por 28% dos entrevistados. Na sequência estão corrupção, com 22%; economia, com 19%; saúde, com 15%; desemprego e educação, ambos com 5%. Esse ranking mostra que a segurança pública superou temas tradicionalmente dominantes, como economia e corrupção, na percepção da população.
Vale notar que a preocupação com a violência varia regionalmente: no Nordeste, 35% a citam como principal problema, enquanto no Centro-Oeste o índice é de 18%. Entre os idosos, a proporção sobe para 38%, reforçando a vulnerabilidade percebida por esse grupo.
Avaliação das instituições de segurança
O levantamento também avaliou instituições ligadas à segurança pública. A Polícia Militar recebeu avaliação positiva de 45%, seguida pela Polícia Federal, com 44%, e pela Polícia Civil, com 41%. O combate às facções criminosas teve avaliação negativa de 43% e positiva de 27%. Esses números indicam que, apesar da percepção de aumento da violência, as polícias ainda mantêm certa confiança popular, embora abaixo da metade.
A avaliação negativa do combate às facções pode refletir a sensação de que o crime organizado está se expandindo, mas a pesquisa não detalha as razões específicas para essa avaliação.
Metodologia e confiabilidade
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 12 e 15 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Esses parâmetros garantem que os resultados são representativos da população brasileira dentro da margem de erro estabelecida.
Os dados foram coletados em todas as regiões do país, permitindo análises comparativas como as apresentadas. A pesquisa não fornece informações sobre a distribuição por faixa etária além dos 60 anos ou mais, nem sobre escolaridade ou renda dos entrevistados.
Fonte
- www.conexaopolitica.com.br
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