A Polícia Federal (PF) liga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a repasses e vantagens concedidas pelo empresário Cleber Ribas, que tinha interesses em obter contratos com órgãos do governo federal.
A investigação aponta que Lulinha atuou como intermediador de negócios junto à Dataprev e ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Além disso, as informações constam em inquérito cuja publicação inicial foi feita pelo site Paulo Figueiredo e detalhada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo o relatório da PF, Lulinha participou de encontros com servidores públicos e solicitou à lobista Roberta Luchsinger a emissão de notas fiscais referentes a pagamentos do empresário. Ademais, as mensagens divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo registram diálogos e reuniões que ligam Lulinha às tratativas.
O inquérito apura suspeitas sobre a intermediação de negócios envolvendo Ribas e a Dataprev, além de investigar a atuação de Roberta e Lulinha junto ao Ministério da Saúde e em outras áreas do governo. Além disso, Ribas buscou tratativas na Dataprev e, atualmente, mantém contratos milionários com o MDS.
Essa relação comercial é um dos focos das apurações. Dessa forma, os investigadores analisam se Lulinha atuou para beneficiar o empresário nas negociações. Ademais, os diálogos obtidos indicam que ele acompanhava as tratativas e orientava questões financeiras.
Indícios consistentes na Dataprev
Os elementos reunidos até agora demonstram que os indícios relativos à Dataprev são considerados mais consistentes, pois resultaram em contratos e repasses financeiros expressivos a Roberta.
- A PF descobriu que Roberta recebeu R$ 2,5 milhões de Ribas entre março de 2024 e dezembro de 2025, por serviços de defesa de interesses.
- Em contrapartida, ela organizou reuniões com servidores da Dataprev e outros agentes públicos para tratar dos interesses de Ribas.
- Relatórios da PF mostram que Roberta esteve no MDS em 17 ocasiões entre 2023 e 2024, defendendo interesses das empresas do empresário.
- Contratos estimados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões foram assinados com o MDS em dezembro de 2023 e abril de 2024, respectivamente, pela empresa 3Structure.
Dessa forma, esses contratos reforçam a linha investigativa sobre a atuação do grupo no governo.
Diálogos revelam notas fiscais e passagens
Por exemplo, em um dos diálogos obtidos na investigação, Lulinha pediu a Roberta que emitisse nota fiscal para Ribas. “Emita a nota fiscal para o Cleber”, disse Lulinha, conforme transcrição da PF.
Além disso, em agosto de 2025, Roberta interpelou Ribas a respeito do pagamento de um terceiro, identificado como “Freitas”. Em seguida, ela afirmou que o valor seria usado para a compra de passagens aéreas para Lulinha. “O Freitas paga quando? Será que ele não paga hoje, não? Tem que pagar essas passagens para o Fábio. Aí, vou pagar com o dinheiro do Freitas”, perguntou a lobista.
Assim sendo, para a PF, a comunicação sugere que as despesas de Lulinha eram custeadas por meio da empresa de Roberta. Além disso, os diálogos analisados revelam que Lulinha reconheceu que Roberta cuidava de suas finanças. Sobretudo, os investigadores afirmam que ele tinha consciência da origem dos recursos, provenientes de empresários com interesses no governo, pois determinava a emissão de notas fiscais e discutia despesas pessoais.
Viagem à África e repasses a Roberta
Roberta Luchsinger teria recebido quase R$ 4 milhões de empresários envolvidos. Por exemplo, em um diálogo de 4 de maio de 2024, Lulinha perguntou a Roberta sobre a disponibilidade financeira para bancar uma viagem à África com familiares. Em seguida, a lobista informou que a viagem custaria cerca de R$ 100 mil por pessoa.
Portanto, esse episódio reforça, para os investigadores, a tese de que o filho do presidente dependia de recursos repassados por terceiros para custear despesas pessoais.
Os pagamentos a Roberta não se limitaram à quantia recebida de Ribas. Ademais, quase R$ 4 milhões teriam sido repassados por outros empresários envolvidos nas apurações. Dessa forma, a PF analisa as mensagens e os contratos obtidos durante as investigações. Todavia, a fonte não detalhou se foram realizadas novas diligências.
Situação processual
Até o momento, não há informações públicas sobre a defesa de Lulinha, Roberta ou Ribas. Além disso, a fonte não detalhou a situação processual dos envolvidos. Assim sendo, o inquérito segue em andamento.
