De acordo com dados do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões em casas de apostas autorizadas ao longo de 2025. O volume é referente às movimentações registradas no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), plataforma utilizada pelo governo para acompanhar as operações do setor. Do total, R$ 36,9 bilhões representaram o saldo negativo dos apostadores e se converteram em receita bruta das empresas.
Depósitos e receita das empresas
A receita bruta das empresas equivale a 16,7% do total depositado, conforme o cálculo que considera a diferença entre o volume de depósitos e os valores pagos em prêmios e bônus. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), os outros R$ 183,7 bilhões retornaram aos usuários na forma de prêmios e bônus sacáveis.
Em termos proporcionais, para cada R$ 100 depositados, cerca de R$ 16,7 permaneceram com as operadoras. A maior parte, cerca de R$ 83,3, foi devolvida aos apostadores. Os dados integram o Sigap e refletem o fluxo financeiro das plataformas autorizadas no período.
Ainda que os números sejam expressivos, a própria SPA faz uma ressalva importante.
Números são preliminares
A SPA ressalva que os dados ainda são preliminares e podem ser atualizados após a conclusão das etapas de conferência. O Sigap é a plataforma que reúne as informações enviadas pelas empresas autorizadas. Por isso, os valores consolidados podem sofrer ajustes nos próximos balanços.
Apesar da possibilidade de revisão, o levantamento já indica a dimensão do mercado de apostas no Brasil. O monitoramento foi criado para dar transparência à operação das bets e subsidiar políticas públicas.
Entre os meses analisados, outubro se destacou no fluxo de apostas.
Outubro lidera em depósitos
Outubro foi o mês de maior volume de depósitos nas plataformas, com R$ 21,3 bilhões registrados. O período também concentrou o maior número de apostadores: cerca de 10,82 milhões de pessoas. Esse contingente supera a média mensal de 9,25 milhões observada durante todo o ano.
O pico de outubro pode estar associado ao calendário de eventos esportivos e à própria expansão do mercado regulado. A SPA, no entanto, não detalhou os fatores que explicam a concentração.
No agregado anual, a base de usuários ativos também impressiona.
25 milhões de brasileiros apostaram
Ao longo de 2025, aproximadamente 25 milhões de brasileiros realizaram pelo menos uma aposta nas plataformas autorizadas. O número equivale a cerca de 12% da população do país, segundo estimativas. A frequência de uso e o valor médio das apostas não foram detalhados pela fonte.
O tamanho da base de usuários ajuda a entender o volume financeiro movimentado no ano. O crescimento do setor ocorre em um ambiente de regulamentação recente, com regras para as empresas e para a distribuição das receitas.
A regulamentação também define como a arrecadação é partilhada.
Divisão da receita e alíquotas
A legislação do mercado de apostas estabelece uma divisão da receita bruta das empresas entre as próprias operadoras e a União, além de outros setores beneficiados pela lei. Em 2025, a parcela destinada ao governo e às demais áreas correspondia a 12% da receita bruta. O percentual passou para 13% em 2026 e deverá chegar a 15% em 2028.
Isso significa que a carga destinada a finalidades sociais aumentará gradualmente. Os demais 88%, 87% e 85% ficam com as casas de apostas conforme a evolução da alíquota.
O impacto, porém, não se limita à arrecadação pública.
Famílias acumulam saldo negativo
O levantamento estimou em R$ 62,5 bilhões o saldo negativo das famílias com apostas em 2025. Esse valor considera a diferença entre os montantes depositados e os prêmios recebidos pelos apostadores. Ou seja, representa a perda líquida das famílias no período.
O número é significativo se comparado ao total movimentado nas plataformas. A pesquisa não detalhou a distribuição dessas perdas por faixa de renda ou região.
Por fim, os números reforçam o peso das apostas na economia brasileira e acendem um alerta sobre seus efeitos financeiros para os consumidores. A atualização dos dados pelo Sigap, ao longo dos próximos anos, será essencial para avaliar a efetividade da regulamentação. O acompanhamento das alíquotas e das perdas familiares ajuda a dimensionar o desafio de equilibrar o mercado com a proteção dos usuários.
