A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral (MPE) com pedido de investigação sobre a informação falsa que liga o candidato a um plano contra Nossa Senhora Aparecida. A medida foi confirmada por integrantes da campanha, que disseram que o objetivo é ingressar com uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral pedindo uma investigação. A equipe jurídica do senador mapeia publicações no X, no Instagram e no Facebook em busca da origem do conteúdo.
A campanha também faz uma varredura das contas que impulsionaram ou espalharam a informação.
Origem do boato e reação imediata
A base do boato é um projeto de 2007, rejeitado e arquivado pela Câmara no ano seguinte. A reportagem não localizou o autor original das imagens e dos textos. A circulação inicial ocorreu em perfis de oposição ao candidato, com mensagens sobre um suposto ataque aos católicos. Na quinta, o assunto cresceu ao longo do dia. Às 12h59, o perfil @da_cia publicou um alerta: “Perfis coordenados do PT estão espalhando que @FlavioBolsonaro estaria preparando uma retirada de Nossa Senhora de Aparecida como padroeira do Brasil.”
Repercussão na imprensa e desmentido
GloboNews noticia uma mobilização ligada ao PL de Flávio Bolsonaro e impulsionado por evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Segundo o jornal, a Igreja Católica reagiu à mobilização ligada a Flávio e resolveu se movimentar. A comentarista não citou Flávio nem apontou o autor do projeto. Nas redes, porém, o trecho ganhou outra moldura. As publicações transformaram a análise em prova de um plano do candidato do PL.
Posteriormente, um post no X afirmou: “URGENTE – Globo News pede desculpas e diz que Flávio não tem projeto para retirar a Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil”.
Posicionamento de Flávio Bolsonaro
Flávio voltou a comentar o assunto nesta tarde (25), e nega ter discutido a retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, classifica a informação como “fake news” e diz que Lula “vira cristão a cada quatro anos”. Candidato do PL à Presidência afirmou que respeita “todas as regiões” e reforçou que “não é papel do Estado se meter na Igreja”. A resposta inverteu o ônus da prova. Quem fez a afirmação cobrou do outro a prova do contrário.
Histórico e contexto do boato
O boato também não é novo. Em 2022, uma montagem atribuiu a mesma intenção a Jair Bolsonaro. Na época, agências de checagem mostraram que o projeto era de Galli, e não da família Bolsonaro. Não havia projeto em mobilização. O único texto sobre o tema estava arquivado havia 18 anos. A tese mudou. Primeiro, Flávio “estaria comprometido a implementar” a medida. Depois, o projeto apenas poderia voltar um dia. O post com a primeira versão segue publicado.
Impacto nas redes e no voto religioso
As buscas por “Nossa Senhora Aparecida” no Google atingiram o maior nível em três meses. Na manhã de sexta, o tema estava entre os mais comentados do X. Muka publicou depois do Em Pauta. Às 22h12 de quinta, escreveu: “Muita gente estranhando o movimento de muitas lideranças do catolicismo nos últimos dias. Pois bem… ao que parece, a Igreja Católica se uniu para defender Nossa Senhora Aparecida desse projeto absurdo do Flávio Bolsonaro.” A menção às “lideranças do catolicismo” remete ao vídeo dos bispos da Amazônia.
O material trata de soberania e democracia. Na véspera, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, havia dito que a Igreja não se manifesta sobre questões político-partidárias nem declara preferência por candidato. O post não informa qual veículo noticiou o suposto compromisso. A reportagem não encontrou nenhuma publicação que sustente essa informação.
Disputa pelo eleitorado religioso
O voto religioso pesa na reta final da campanha. Segundo o Datafolha, Lula lidera entre os católicos, com 45% contra 33%. Flávio lidera entre os evangélicos, com 47% contra 27%. A disseminação de informações falsas sobre a relação do candidato com a padroeira do Brasil pode influenciar a percepção de eleitores católicos. A campanha de Flávio busca responsabilizar os autores e conter os danos eleitorais.
