O núcleo da campanha da governadora Raquel Lyra entregou à Polícia Federal, nesta semana, um conjunto de documentos que, segundo a própria equipe, estabelece conexões entre Alexsandro Pereira da Silva — suspeito de furtar materiais eleitorais — e pessoas que passaram por estruturas políticas ligadas ao PSB. A entrega ocorre em meio a uma série de registros de furtos de materiais de campanha em diferentes pontos do Recife, que já haviam motivado duas notícias-crime protocoladas anteriormente.
De acordo com os registros apresentados à PF, Alexsandro Pereira da Silva é sócio-administrador da Maxxnet Telecomunicações Ltda. Os outros dois sócios são Eduardo da Cruz Silva e Everton Augusto Souza de Melo. A campanha de Raquel Lyra sustenta que a presença desses dois sócios em estruturas políticas e administrativas ligadas ao vereador Eduardo Mota, do PSB, e ao partido abre a necessidade de investigar se o furto dos materiais eleitorais fazia parte de uma ação coordenada contra a governadora.
Documentos apontam vínculos com estruturas do PSB
Os dois sócios aparecem em uma sequência de nomeações e movimentações funcionais que pode ser reconstruída a partir do Diário Oficial do Recife e de atos normativos da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Doze dias depois de um primeiro registro, os dois voltaram a aparecer em um ato oficial: uma nova resolução tratou das gratificações concedidas no gabinete de Eduardo Mota e registrou as matrículas funcionais de ambos.
A passagem de Eduardo da Cruz por estruturas ligadas ao PSB, porém, começou antes disso. Ele já havia ocupado cargo comissionado no gabinete do deputado estadual Rodrigo Farias, também do PSB, na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O desligamento ocorreu por meio do Ato nº 1.890/2024, publicado em 20 de dezembro daquele ano, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2025. Essa mesma data marcou o início dos efeitos financeiros de sua nomeação para o gabinete de Eduardo Mota na Câmara do Recife.
O itinerário dos dois sócios acompanhou, posteriormente, a própria movimentação política de Eduardo Mota. Em abril de 2026, o então vereador foi nomeado pelo prefeito do Recife para comandar a Secretaria de Esportes. Três dias depois, a Câmara concedeu licença para que Mota assumisse um cargo na pasta. Publicações posteriores do Diário Oficial mostram ainda que o novo gerente passou a exercer atribuições relacionadas ao recebimento, aplicação e prestação de contas de suprimentos individuais da secretaria.
Furto e disparo são investigados pela polícia
A abordagem do suspeito começou com um policial civil e terminou com a participação de uma equipe do 16º Batalhão da Polícia Militar. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) confirmou o registro do furto e abriu investigação na Corregedoria para apurar as circunstâncias do disparo. A Corregedoria da Polícia Civil de Pernambuco também apura se o disparo que atingiu Alexsandro partiu da arma do policial ou de outra pistola.
Antes da prisão, a campanha da governadora já havia protocolado duas notícias-crime pedindo a apuração de furtos de materiais eleitorais registrados em diferentes pontos do Recife ao longo da semana. A fonte não detalhou os locais exatos nem as datas dos furtos anteriores. A campanha de Raquel Lyra afirma que os episódios fazem parte de um padrão de intimidação e sabotagem.
Coligação de João Campos nega envolvimento
O grupo político de João Campos, por outro lado, contesta a acusação. Procurada, a coligação Frente Popular negou qualquer participação em ação irregular relacionada ao episódio e afirmou não ter envolvimento no caso das bandeiras. A coligação não se manifestou sobre os vínculos societários apontados pela campanha de Raquel Lyra.
Isso porque Lula mantém uma fatia elevada do eleitorado em Pernambuco. Desde o início da campanha oficial, o núcleo de João Campos tenta vincular Raquel Lyra a Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, busca sustentar a sua própria associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disputa eleitoral no estado tem sido marcada por acusações mútuas de uso indevido de símbolos e materiais de campanha.
Investigações seguem sem atualização
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Federal e o MP Eleitoral não haviam atualizado o andamento das respectivas apurações. O Conexão Política tentou contato com a defesa dos citados, mas, até o fechamento, não havia recebido retorno. O espaço segue aberto.
A entrega dos documentos à PF representa mais um capítulo na escalada de tensão entre as campanhas de Raquel Lyra e João Campos. Enquanto as investigações avançam, o caso do furto eleitoral em Pernambuco segue sem desfecho definido.
Fonte
- www.conexaopolitica.com.br
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