Um grupo de mensagens no WhatsApp mantinha em contato direto o banqueiro Vorcaro, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. As conversas, reveladas em reportagem, mostram o compartilhamento de informações sobre a Operação Carbono Oculto e negociações envolvendo o Banco Master, instituição que enfrentava risco de liquidação. O teor das mensagens não foi comentado pelos citados.

Troca de notícias sobre operação policial

Em 28 de agosto de 2025, Ciro Nogueira compartilhou no grupo uma notícia sobre a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal e pela Receita Federal. A operação investigava a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis e no mercado financeiro. O compartilhamento indica que os integrantes do grupo acompanhavam de perto o desenrolar das investigações. A fonte não detalhou se houve comentários adicionais sobre a notícia naquele momento.

A Operação Carbono Oculto ganhou destaque por mirar a presença do PCC em atividades econômicas lícitas, como postos de gasolina e operações financeiras. O interesse de Ciro Nogueira no tema, demonstrado pelo compartilhamento, sugere uma atenção especial aos desdobramentos da ação policial. A troca de informações entre políticos e o banqueiro Vorcaro ocorria em um ambiente privado, longe do escrutínio público.

Prisão de Vorcaro e proposta do Grupo Fictor

Na noite da prisão de Vorcaro, Fábio Faria compartilhou no grupo uma reportagem sobre a proposta do Grupo Fictor para comprar o Banco Master. A tentativa de aquisição visava evitar a liquidação da instituição financeira. Poucas horas depois, agentes da Polícia Federal prenderam o banqueiro. A sequência dos eventos, conforme as mensagens, mostra a urgência com que o grupo acompanhava a situação do banco.

A proposta do Grupo Fictor surgiu como uma possível saída para o Banco Master, que enfrentava graves problemas de liquidez. O compartilhamento da notícia por Faria indica que os integrantes do grupo estavam cientes das negociações em andamento. A prisão de Vorcaro, ocorrida logo em seguida, marcou um ponto de inflexão na trajetória do banqueiro e nas relações do grupo.

Negociação de usina eólica no RN

Com Faria, o então banqueiro teria negociado, já no setor privado, a compra de um projeto de usina eólica no Rio Grande do Norte, por R$ 67,5 milhões. O pagamento teria incluído um imóvel em São Paulo avaliado em R$ 50 milhões e R$ 17,5 milhões em transferências bancárias, segundo o veículo. A transação, se confirmada, revela a profundidade dos laços comerciais entre Vorcaro e o ex-ministro.

O projeto de usina eólica no Rio Grande do Norte representa um ativo de grande valor no setor de energia renovável. A forma de pagamento, combinando imóvel e transferências, sugere uma operação complexa e de alto padrão. A fonte não detalhou se a negociação foi concluída ou se houve outros envolvidos. A menção a essa transação no contexto do grupo reforça a proximidade entre os integrantes.

Indícios sobre atuação de Ciro Nogueira

Em relação a Nogueira, a Polícia Federal levantou indícios de que o senador teria defendido interesses do Banco Master no Congresso Nacional. As investigações também tratam sobre supostos repasses em dinheiro, viagens e pagamentos de cartões de crédito. Esses elementos sugerem uma relação de troca de favores entre o parlamentar e a instituição financeira.

A defesa de interesses no Congresso pode incluir a atuação em votações, emendas ou articulações políticas. Os supostos repasses e pagamentos, se comprovados, configurariam um esquema de benefícios mútuos. A fonte não detalhou os valores ou as datas específicas dessas transações. A investigação segue em andamento, e não há conclusões definitivas até o momento.

Silêncio dos citados

Ciro Nogueira, Hugo Motta e Fábio Faria não comentaram o teor das conversas. A defesa de Vorcaro também não se manifestou. O silêncio dos envolvidos deixa em aberto as interpretações sobre o conteúdo das mensagens e a natureza das relações no grupo. A ausência de posicionamento público é comum em casos sob investigação, mas alimenta especulações.

A reportagem que revelou o grupo não trouxe detalhes sobre a frequência das mensagens ou o papel de cada integrante. A fonte não detalhou se Hugo Motta participou ativamente das conversas ou apenas estava incluído no grupo. A falta de comentários oficiais mantém o caso em aberto, aguardando desdobramentos das investigações.

Fonte