Mensagens trocadas pela lobista Roberta Luchsinger com um ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Gaspar, revelam relatos sobre uma suposta captação de recursos para o filme do diretor Oliver Stone sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos, aos quais a reportagem teve acesso, indicam que a arrecadação ocorreria em estados governados pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Na época, Luchsinger e Gaspar mantinham um relacionamento amoroso.
Em uma das mensagens, Luchsinger escreve: “Amor, seguinte … o Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra captar dinheiro pro filme do Oliver Stone …”. A lobista acrescenta que “o pai do Fábio (o presidente Lula) achou o filme uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá falar com ele. Mas q estão captando mto dinheiro usando o nome do presidente.
Ele odeia isso. Bom, coisas de Zé .::”.
Quem são os citados nas mensagens
Marcelo Bittencourt é descrito como um empresário com interesses na área de infraestrutura e amigo de Roberta Luchsinger. Ele é casado com Ana Alencar, uma designer de joias também próxima da lobista. Segundo as mensagens, Luchsinger costumava comprar peças de Ana Alencar para presentear mulheres de autoridades do governo, como a jornalista Nicole Briones, esposa do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro Marcola.
As referências a “Fábio” e “Zé” não são detalhadas nas mensagens, mas o contexto sugere que se tratam de pessoas próximas ao presidente Lula. A fonte não detalhou a identidade completa de “Zé”. A menção ao “pai do Fábio” indica que Fábio seria filho do presidente, conforme apontado entre parênteses na própria mensagem.
Cotas de patrocínio e benefícios
Em outro trecho das conversas, Marcelo Bittencourt envia a Roberta Luchsinger um texto explicativo “sobre a cota do filme”. De acordo com a mensagem, um investimento de US$ 300 mil daria direito a “dois ingressos para a estreia que terão 250 pessoas com a presença do presidente (Lula) e do Oliver Stone”.
Para um aporte de US$ 500 mil, o patrocinador obteria quatro convites para o mesmo evento no Brasil e mais dois ingressos para o Festival de Cannes, na França, “com a possibilidade de colocar o logo no filme como apoiador”. Já por US$ 1 milhão, o apoiador conseguiria dois convites para o lançamento em Cannes, em maio daquele ano, e mais quatro ingressos para eventos no Brasil. Além disso, “poderá usar o espaço do lançamento para se colocar como apoiador do projeto”.
Conversa com embaixador na Espanha
Em julho de 2024, Roberta Luchsinger também mencionou Marcelo Bittencourt em uma conversa com o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro. Na ocasião, a lobista afirmou: “O marido dela é também uma pessoa muito interessante que o senhor irá conhecer. Ele foi o financiador do filme do Olivier (sic) Stone sobre o presidente Lula. São ótimas pessoas”.
A declaração sugere que Bittencourt teria atuado como financiador da produção, embora as mensagens anteriores indiquem que ele participava da captação de recursos. A reportagem não teve acesso a documentos que comprovem a efetiva transferência de valores ou a realização do filme.
Contexto e lacunas
As mensagens não esclarecem se a captação de dinheiro foi concluída, quais valores foram efetivamente arrecadados ou se o filme chegou a ser produzido. Também não há informações sobre a participação oficial do governo ou do PT nas supostas negociações. A fonte não detalhou o período exato das conversas, exceto a menção a julho de 2024 no diálogo com o embaixador.
Procurados, os citados não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
