Em uma movimentação que mexe com o setor de defesa, a J&F, holding dos irmãos Batista, comprou 100% da Avibras. O negócio, por sua vez, foi notificado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Contudo, o valor da aquisição não foi divulgado, e a fonte não detalhou os termos do acordo. A transação, ademais, ocorre em um momento de retomada das atividades da companhia.
Compra foi notificada ao Cade
A notificação do negócio ao Cade é um dos passos necessários para que a aquisição seja avaliada pelo órgão. Assim sendo, o Cade deverá analisar eventuais impactos no mercado. No entanto, ainda não há manifestação pública do órgão sobre o caso. Além disso, a fonte também não detalhou se a operação depende de aprovação prévia ou se já foi estruturada com essa condição.
De acordo com as informações publicadas, a J&F passa a deter a totalidade do capital da Avibras. Ou seja, a compra de 100% das ações envolve a transferência completa do controle. Todavia, não foram revelados prazos nem condições para a transferência. Sem esses detalhes, portanto, o mercado acompanha o desenrolar da operação com atenção.
Aporte anterior de R$ 300 milhões
A transação atual acontece poucos meses depois de Joesley Batista participar de um aporte de R$ 300 milhões destinado à Avibras. Na ocasião, aliás, o investimento havia sido apresentado como parte de uma operação que envolvia outros investidores. Esse movimento anterior, por sua vez, apontava para a intenção do grupo de se aproximar da fabricante. Agora, portanto, com a compra total, essa aproximação se transforma em controle acionário.
A fonte não detalhou como o aporte de R$ 300 milhões se relaciona com a aquisição. Ademais, não há esclarecimentos sobre a participação de outros investidores no negócio atual. O grupo Batista, contudo, já aparecia como um dos interessados no destino da Avibras. A compra da totalidade do capital, na prática, materializa esse interesse, ainda que os valores sigam sem confirmação.
Crise e recuperação judicial
A Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022. Naquele momento, as dívidas eram estimadas em cerca de R$ 600 milhões. O período, além disso, foi marcado por dificuldades financeiras, interrupção das atividades e uma longa greve dos funcionários. A empresa tentava se reorganizar sem interromper definitivamente suas operações.
Greve de 1.281 dias
A paralisação dos trabalhadores começou em setembro de 2022 e se estendeu por 1.281 dias, até 2026. Durante esse intervalo, consequentemente, as linhas de produção ficaram paradas.
Retomada da produção
A retomada da produção ocorreu em maio deste ano, depois de um acordo que envolveu aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas. Com isso, o acerto colocou fim a um dos períodos mais difíceis da história da companhia.
O acordo representou um alívio para a empresa e para os empregados. Com o fim da greve, a fábrica voltou a operar gradualmente. A retomada das atividades, dessa forma, foi um passo necessário para a sequência do negócio. A J&F, então, passa a liderar o processo de recuperação da companhia.
Setor de defesa em evidência
A compra pela J&F acontece em um momento de retomada das atividades da Avibras. O governo federal, por outro lado, também tem demonstrado maior atenção ao setor de defesa. Em julho, o presidente Lula (PT) visitou a fábrica da empresa. Na ocasião, a produção já havia sido retomada.
A visita presidencial, aliás, chamou atenção para a Avibras e para o segmento. O governo passou a acompanhar com mais proximidade o que ocorre na companhia. A entrada da J&F no controle ocorre, portanto, no contexto de um setor considerado estratégico. A combinação de retomada produtiva e interesse público, assim, torna a operação ainda mais relevante.
O que ainda falta saber
Apesar do anúncio, muitos pontos permanecem em aberto. Veja em seguida as principais dúvidas:
- Valor da aquisição: não foi divulgado e a fonte não detalhou o cronograma de pagamento.
- Marca e estrutura: não há confirmação sobre a manutenção da marca Avibras ou de sua estrutura atual.
- Passivos e obrigações: a fonte não informou se a compra engloba passivos ou obrigações da empresa.
- Papel de Joesley Batista: o empresário participou do aporte anterior, mas não se sabe qual será seu papel na gestão.
- Decisão do Cade: o órgão pode, por exemplo, aprovar, aprovar com restrições ou impor condições.
Portanto, até lá, os detalhes continuam escassos.
Em resumo, a trajetória recente da Avibras, marcada pela recuperação judicial e pela longa paralisação, serve de pano de fundo para entender a importância da operação. O novo controlador assume um negócio que voltou a funcionar, embora ainda carregue desafios históricos. A fonte não detalhou, porém, como esses desafios serão enfrentados na nova fase.
