Déficit externo atinge pior nível desde 2014
As contas externas do Brasil fecharam 2025 com um rombo de US$ 68,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Esse resultado representa o pior desempenho desde 2014, quando o déficit atingiu US$ 110,4 bilhões.
A série histórica, iniciada em 1995 pela autoridade monetária, mostra uma deterioração em relação ao ano anterior, quando o saldo negativo havia sido de US$ 66,2 bilhões.
O que são transações correntes?
O saldo em transações correntes mede a relação entre o país e o exterior. Ele é formado por três componentes principais:
- Balança comercial (exportações e importações de bens)
- Conta de serviços (viagens internacionais, transportes, etc.)
- Conta de rendas (pagamentos de juros, lucros e dividendos)
Em 2025, a combinação desses componentes resultou no valor recorde para o período de 11 anos. A evolução do indicador costuma ser associada pelo Banco Central ao ritmo de crescimento da economia nacional.
Balança comercial registra superávit menor
Em 2025, a balança comercial registrou um superávit de US$ 59,9 bilhões. Esse valor, porém, representa uma queda em relação ao ano anterior, quando o saldo positivo foi de US$ 65,9 bilhões.
A redução no superávit comercial contribuiu diretamente para o aumento do déficit geral nas transações correntes.
Expectativas para 2026
A expectativa oficial para 2026 é de aumento do saldo comercial, com expansão das exportações (especialmente de petróleo) e estabilidade das importações. Esse movimento poderia ajudar a conter o rombo externo no próximo ano.
O desempenho do setor externo de bens será um fator-chave para a trajetória das contas nacionais.
Conta de serviços e rendas no vermelho
A conta de serviços fechou 2025 com déficit de US$ 52,9 bilhões. Esse valor representa uma leve melhora em relação a 2024, quando o rombo somou US$ 55,2 bilhões. Apesar da redução, o saldo negativo continua a pesar nas transações correntes.
Conta de renda primária
A conta de renda primária, que registra pagamentos de juros, lucros e dividendos ao exterior, permaneceu no vermelho em 2025. O déficit nessa conta somou US$ 81,3 bilhões, valor idêntico ao registrado em 2024.
A manutenção desse rombo significativo é um dos principais fatores por trás do resultado geral negativo.
Investimentos estrangeiros diretos crescem
Os investimentos estrangeiros diretos, que representam entrada de capital de longo prazo no país, alcançaram US$ 77,6 bilhões em 2025. Esse valor supera o registrado em 2024, quando os ingressos somaram US$ 74,1 bilhões.
O crescimento sugere confiança dos investidores internacionais na economia brasileira, apesar do déficit em transações correntes.
Projeção para 2026
Para 2026, no entanto, o Banco Central estima um recuo desses investimentos para cerca de US$ 70 bilhões. A projeção de queda indica que o fluxo de capital pode enfrentar desafios no próximo ano.
Esse movimento precisará ser monitorado, pois os investimentos estrangeiros ajudam a financiar o déficit externo.
Projeções oficiais para 2026
O Banco Central projeta uma redução do déficit das contas externas para US$ 60 bilhões em 2026. Essa estimativa representa uma melhora de quase US$ 9 bilhões em relação ao resultado de 2025.
A expectativa se baseia em fatores como:
- Expansão das exportações
- Estabilidade das importações
- Recuo dos investimentos estrangeiros diretos para cerca de US$ 70 bilhões
A combinação de um déficit menor e uma entrada de capital ainda significativa poderia trazer mais equilíbrio para o setor externo. O cenário, porém, dependerá de condições econômicas globais e domésticas.
Os dados de 2025 marcam um ponto de atenção, mas as projeções indicam um caminho de correção. A evolução desses indicadores será crucial para a saúde financeira do país no médio prazo.
