A dívida pública federal (DPF) atingiu R$ 8,641,13 bilhões em janeiro de 2026, segundo relatório do Tesouro Nacional publicado em 25 de fevereiro. O valor representa um aumento de 0,07% em relação ao mês anterior, mantendo o patamar elevado que preocupa especialistas e mercado financeiro.
O crescimento ocorreu em um contexto de taxas de juros restritivas e desafios para o financiamento do governo federal.
Fatores que impulsionaram o aumento da dívida
O desempenho da dívida pública em janeiro ocorreu devido à apropriação positiva de juros no valor de R$ 74,79 bilhões. Esse fenômeno acontece quando o governo obtém um retorno maior com os investimentos em títulos em comparação com os juros pagos aos detentores da dívida pública.
Além disso, houve resgate líquido no valor de R$ 68,76 bilhões, que representa a diferença entre o valor de títulos emitidos e os resgatados. Esses dois fatores combinados explicam a variação mensal observada no estoque da dívida.
Composição e sensibilidade da dívida
Vale destacar que quase metade da dívida pública está atrelada à taxa básica de juros, a Selic, que se encontra em patamar mais restritivo (15% ao ano). Essa característica torna o custo da dívida sensível às decisões do Banco Central sobre política monetária.
A composição da DPF em janeiro teve prefixados (com rendimento definido no momento da emissão) em 20,65%, mostrando diversificação nos instrumentos de financiamento.
Limites do plano de financiamento e gestão
O estoque da dívida pública federal iniciou o ano fora dos limites previstos no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2025. O PAF de 2025 prevê variação de R$ 9,7 trilhões a R$ 10,3 trilhões no ano, indicando que o valor atual já se aproxima do limite inferior da projeção.
Em contraste, em 2025, o resultado da dívida pública federal ficou dentro dos limites previstos no mesmo plano, com estoque que somou R$ 8,6 trilhões naquele ano.
Prazo médio da dívida
Por outro lado, o prazo médio da DPF aumentou de 4 anos em dezembro para 4,03 anos em janeiro. Esse indicador ficou dentro do intervalo estipulado pela PAF 2026 (entre 3,8 anos e 4,2 anos), sugerindo que o perfil de vencimentos está sendo gerenciado conforme o planejado.
A dívida pública federal é contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal, funcionando como principal instrumento para cobrir despesas que superam as receitas.
Quem detém a dívida pública federal
O maior detentor da dívida pública é o grupo Instituições Financeiras, que diminuiu sua participação em janeiro. O estoque desse grupo passou de R$ 2,7 trilhões para R$ 2,6 trilhões no período, com participação na DPF caindo para 31,92%.
Essa redução pode indicar mudanças na estratégia de investimento dos bancos ou realocação de recursos para outros ativos. A fonte não detalhou as razões específicas para as mudanças observadas na composição dos detentores.
Participação da Previdência Social
Em contrapartida, a participação da Previdência Social na DPF chegou a 22,66%, mantendo-se como um dos principais credores do governo federal. Essa estrutura de detenção mostra como recursos de diferentes setores da economia são mobilizados para financiar as operações do Estado.
Contexto e perspectivas futuras para a dívida
Os dados de janeiro representam o início de um novo ciclo de gestão da dívida pública, que enfrenta o desafio de se manter dentro dos limites estabelecidos pelo plano oficial. O relatório mensal da dívida pública federal (RMD) publicado pelo Tesouro Nacional oferece transparência sobre a evolução desse importante indicador macroeconômico.
A apropriação positiva de juros observada no mês pode ser vista como um aspecto favorável na gestão dos recursos.
Desafios para a sustentabilidade fiscal
No entanto, o fato de o estoque já começar o ano fora dos limites previstos no PAF 2025 sinaliza pressões sobre as finanças públicas. A combinação entre dívida elevada e juros altos cria um cenário desafiador para a sustentabilidade fiscal no médio prazo.
As próximas publicações do Tesouro Nacional trarão mais elementos para avaliar a trajetória desse indicador crucial para a economia brasileira.
